Empresários do Alto Tietê tentam contornar demissões de funcionários e equilibrar as contas durante a pandemia


Segundo dados do Caged, região perdeu mais de 12 mil postos de trabalho no primeiro semestre. Empresários tentam manter os funcionários, mas a situação é crítica diante da baixa do consumo e o acúmulo de dívidas. Pandemia do novo coronavírus impacta geração de emprego no Alto Tietê
No primeiro semestre de 2020, o Alto Tietê perdeu mais de 12 mil postos de trabalho, segundo dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged). O dado, que assusta os trabalhadores, também preocupa os empresários da região. Eles buscam alternativas para evitar as demissões e, ao mesmo tempo, equilibrar as contas durante a crise provocada pelo novo coronavírus (Covid-19)
No restaurante de Mário Denicolli Neto, em Mogi das Cruzes, trabalham 11 funcionários. Por causa da pandemia, o sufoco para conseguir fechar as contas no azul tem sido grande. A boa notícia é que ninguém aqui foi demitido.
“Nós tivemos que entrar naquele programa do Governo de redução de salário e de jornada de trabalho. Tivemos que cortar vários custos aí para poder manter o quadro de funcionários, né? Na verdade, sempre convivendo com o fantasma de ter que demitir alguém”, comenta o empresário.
No mês passado, depois que a região avançou para fase amarela do Plano São Paulo, o restaurante voltou a receber os clientes. Foram quase quatro meses funcionando apenas com o delivery. As vendas nesse período nem de longe chegaram ao que era antes. Neto admite que só não demitiu em consideração aos funcionários, alguns com muito tempo de casa.
“Na verdade, foi uma decisão mais de coração do que de razão. Eu tenho colaboradores que trabalham comigo há mais de 15 anos. Ter que escolher alguém para demitir é quase que impossível, então nós fizemos um malabarismo mesmo, como você falou, para tentar honrar esse compromisso que eu tinha com elas, na verdade”, desabafa.
No entanto, a realidade dos funcionários do Mário não foi a mesma de outros milhares de trabalhadores do Alto Tietê. Segundo o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados no primeiro semestre deste ano a região perdeu quase 12 mil postos de trabalho.
Todas as cidades da região fecharam o semestre no vermelho, com o número de demissões maior que o de contratações. A cidade com maior diferença foi Mogi das Cruzes, que nos seis primeiros meses do ano contratou 17 mil pessoas e demitiu mais de 21 mil. O saldo foi de 4 mil empregos perdidos.
Proprietário de hotel, em Guararema, lamenta baixa procura
Reprodução/TV Diário
Os dados do Caged ainda mostram que Guararema foi a cidade que, proporcionalmente, perdeu mais vagas de carteira assinada na comparação com o início do ano.
O município, que depende essencialmente do turismo, começou 2020 com um estoque de quase 7 mil empregos formais. Desse total, 701 vagas foram fechadas no primeiro semestre, o que corresponde a 10%. O percentual foi o maior do Alto Tietê
Um dos hotéis mais conhecidos da cidade tinha 32 funcionários antes da pandemia. Sem poder receber hóspedes no período de maior restrição, o dono precisou demitir 13 deles. Mesmo agora, ele não descarta a possibilidade de ter que demitir mais.
“Alguns cargos não vão ser necessários no momento porque eu não estou tendo utilização nada da área de lazer e nem podendo receber eventos. Então, essas pessoas eu estou analisando a intenção de talvez ter que desligá-los, uma vez que pelo menos para os próximos seis meses eu acho que eu não vou ter aproveitamento deles aqui”, afirma o proprietário Ricardo Magalhães.
Ele explica que, por causa de um decreto municipal, o hotel pode receber apenas hóspedes que estejam na cidade a trabalho. O problema é que, mesmo assim, ele quase não tem tido procura.
“Mudou o público e a gente não está tendo demanda desse público que é permitido ser atendido aqui no hotel. Então a reabertura tornou-se até um problema, porque as despesas voltaram, né? A parte de luz e todo o hotel ativo com a receita baixíssima. Então é certo que a gente vai trabalhar no vermelho”, afirma Magalhães
De acordo com o economista Alberto Ajzental, o cenário daqui para frente preocupa. A previsão é de aumento no desemprego.
“Você tem uma série de medidas do Governo Federal, do governo central, no sentido de que as empresas mantenham seus funcionários. Mas, em algum momento, pode ser que essa política e essas medidas provisórias terminem, elas se encerrem. A próxima acaba agora, em meados de agosto, teve uma prorrogação. E aí, se a economia não melhorar, é muito provável que as empresas venham a demitir os funcionários”, diz.

By Midia ABC

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