O médico Vinicius Tadeu Sattin Rodrigues, especialista em diagnóstico por imagem, observa que muitas mulheres enfrentam dificuldades na compreensão dos laudos de mamografia. Os termos técnicos, siglas e categorias numéricas utilizadas frequentemente deixam as pacientes confusas, levando-as a buscar esclarecimentos médicos com grande ansiedade, já que não sabem o que esperar do resultado.
O laudo da mamografia utiliza um sistema de classificação internacional conhecido como BI-RADS. Entender essa estrutura é fundamental para que cada mulher possa interpretar seu resultado de forma clara e saiba como proceder a partir daí.
Entendendo o sistema BI-RADS e sua criação
O Breast Imaging Reporting and Data System (BI-RADS) foi criado pelo Colégio Americano de Radiologia com a finalidade de padronizar a terminologia nos laudos de imagem mamária em todo o mundo. Antes da sua implementação, diferentes radiologistas poderiam descrever os mesmos achados utilizando linguagens variadas, o que dificultava a interpretação dos resultados e a definição das condutas pelos médicos solicitantes. Segundo Vinicius Tadeu Sattin Rodrigues, a introdução do sistema BI-RADS representou um avanço importante para a qualidade do rastreamento, assegurando que um laudo emitido em qualquer serviço de radiologia transmita de maneira clara tanto as descrições dos achados quanto as recomendações associadas.
Atualmente, o BI-RADS possui sete categorias numeradas de 0 a 6, cada uma com um significado clínico específico e uma recomendação de ação correspondente. O BI-RADS 0 indica que a avaliação está incompleta, necessitando de exames complementares ou comparação com imagens anteriores; o BI-RADS 1 significa um exame negativo sem achados relevantes; já o BI-RADS 2 abrange achados benignos com alta certeza, como cistos simples ou calcificações benignas, sem necessidade de investigação adicional. Para essas três primeiras categorias, o procedimento recomendado é continuar com o rastreamento regular sem intervenções adicionais.
Categorias que requerem maior atenção e suas implicações práticas
A partir da categoria BI-RADS 3, é necessário redobrar a atenção clínica, embora ainda sem motivo para alarmes imediatos. Como salienta Vinicius Tadeu Sattin Rodrigues, o BI-RADS 3 inclui achados que provavelmente são benignos, apresentando uma probabilidade de malignidade inferior a 2%. A conduta sugerida envolve controle por imagem em curto prazo — geralmente seis meses — para verificar possíveis alterações no achado. Se após dois ou três anos não houver mudanças significativas, esses achados costumam ser reclassificados como benignos. Por outro lado, o BI-RADS 4 é dividido em subcategorias (4A, 4B e 4C) conforme o nível de risco e indica suspeita de malignidade, recomendando biópsia para confirmação diagnóstica; nesse caso, a probabilidade pode variar entre ligeiramente acima de 2% até quase 95%. O BI-RADS 5 refere-se a achados altamente indicativos de malignidade com mais de 95% de chance também requerendo biópsia.
Uma categoria frequentemente mal interpretada é o BI-RADS 6, que se aplica apenas quando há confirmação prévia da malignidade por biópsia e o exame é solicitado para avaliar tratamento ou monitoramento da resposta à terapia. Receber um laudo BI-RADS 6 não indica um novo diagnóstico; ao contrário, significa que já existe um câncer diagnosticado e que as imagens estão sendo utilizadas para planejar ou acompanhar o tratamento. Compreender essa distinção é crucial para evitar ansiedades desnecessárias tanto nas pacientes quanto em seus familiares.
Utilizando o laudo como uma ferramenta para diálogo com o médico
O laudo BI-RADS foi criado não como um documento para autoavaliação das pacientes, mas sim como uma ferramenta técnica destinada à comunicação entre radiologistas e médicos responsáveis pelo acompanhamento dos casos. Vinicius Tadeu Sattin Rodrigues ressalta que mesmo profissionais da saúde sem especialização em imagem mamária podem ter dúvidas sobre os resultados que devem ser esclarecidas diretamente com os radiologistas ou ginecologistas responsáveis. Para as pacientes, é essencial saber qual categoria foi atribuída ao seu exame e qual conduta foi recomendada para levar essa informação objetiva durante sua consulta médica seguinte.
Assim sendo, um laudo alterado não deve ser interpretado como sinônimo de diagnóstico negativo; ao contrário, deve ser visto como uma oportunidade para agir com responsabilidade e rapidez. Compreender como interpretar os resultados do BI-RADS transforma as mulheres em participantes ativas do seu próprio cuidado médico, impactando positivamente na qualidade e eficácia do rastreamento ao longo do tempo.
Autor: Diego Rodríguez Velázquez
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