Na cidade de São Paulo, só está autorizada a volta para atividades extracurriculares tanto na rede pública como privada, com 20% dos alunos. Escolas públicas e particulares reabrem nesta quarta (7)
As escolas de toda rede de ensino do estado de São Paulo se preparam para a volta às aulas presenciais nesta quarta-feira (7), após quase sete meses de paralisação das atividades por causa da pandemia do coronavírus. A retomada seguirá regras diferentes de acordo com as 645 cidades do estado, já que cada município tem autonomia para definir os protocolos sanitários de retomada das atividades.
Na capital paulista, só está autorizada a volta para atividades extracurriculares tanto na rede pública como privada, com 20% dos alunos. Apenas estudantes do ensino superior poderão voltar às aulas regulares na data.
Após tanto tempo longe da rotina escolar, os estudantes estão ansiosos sobre como será o retorno e educadores preparam atividades de acolhimento.
“Essas crianças que estão vindo agora de casa estão trazendo uma dose muito grande de inseguranças, de medos, de inquietudes e é momento agora de elas falarem. Elas precisam ser ouvidas para que todo esse processo de reclusão possa ser aos poucos trabalhado. A partir disso criar uma condição emocional para que elas estejam novamente prontas para o conteúdo pedagógico”, afirma o psicólogo do Instituto de Psiquiatria da USP, Cristiano Nabuco.
A coordenadora pedagógica de um colégio particular no Tatuapé, na Zona Leste da capital, afirma que os 700 estudantes já tiveram quase todo o conteúdo do ano pela internet, mas que a volta para a escola vai fazer diferença.
“Mesmo que venham poucas crianças amanhã, a gente espera que a ansiedade deles por estar na sua escola vai superar qualquer situação que eles tenham passado em casa com a distância da escola e dos amigos”, diz Adriana.
Os irmãos gêmeos Gabriel e Carolina fazem parte dos 20% de estudantes do ensino médio da Escola Estadual Isaí Leirner que vão voltar à escola nesta quarta.
“A gente sente falta de praticamente tudo, contato com os colegas, a proximidade com os professores, é mais fácil de aprender, e muita gente está ansiosa para voltar”, diz Gabriel Siqueira, de 17 anos.
“Durante essa pandemia foi muito tempo sem ver, sem ter contato com os amigos direito, é só por telefone, então vai ser mais matar a saudade mesmo”, diz Carolina Siqueira.
Na capital, as escolas públicas vão funcionar com um limite de duas horas por dia e duas vezes por semana. A rede particular não tem essa restrição.
Na Região Metropolitana, 29 cidades decidiram não liberar a volta às aulas nesta quarta.
Ano letivo 2020-2021 unificado
Secretário de Educação de SP explica como será unificação do ensino em oito bimestres
O secretário estadual de Educação de São Paulo, Rossieli Soares, disse nesta terça-feira (6) que a rede estadual irá trabalhar o ano letivo de 2020 e 2021 como um ciclo único de ensino.
“Vamos trabalhar o ano de 2020 e 2021 como um ciclo, como se fosse um ano só, especialmente para esses alunos que já entregaram as atividades e estão entregando”, afirmou o secretário em entrevista à GloboNews.
O secretário afirmou que a proposta será aplicada para os alunos que forem aprovados este ano. A ideia é fazer a unificação em oito bimestres para diluir o ensino e ter a possibilidade de quem não aprendeu conseguir recuperar.
“Ao invés de fazer a média com quatro bimestres de 2020, faremos a média bimestral de oito bimestres contando 2020 e 2021. Então, o aluno que está no quarto ano, se ele entregou o mínimo de atividades, ele progride para o quinto ano, e a média dele para aprovação lá no quinto ano será considerada, por exemplo, aquilo que ele fez em 2020 e 2021”, explicou o secretário.
Em julho, o Conselho Nacional de Educação (CNE) recomendou que redes escolares evitem reprovar os estudantes neste ano. Apesar da sugestão, cabe às redes estadual, municipal e privada decidirem como será feita a aprovação.
“Obviamente nós não defendemos a reprovação pela reprovação, esse é um ano muito atípico, especialmente para os alunos que têm menos condições, que não conseguiram acompanhar as aulas online. Por isso que nós vamos fazer um grande processo de busca ativa para aqueles que porventura não tenham conseguido entregar as atividades. Para esses, vamos dar a oportunidade ao máximo de tempo possível”, afirmou o secretário.
Segundo o Rossieli, nos próximos dias, o governo deve definir, juntamente com o Conselho Estadual de Educação, como será feita a aprovação escolar dos alunos da rede.
“Vamos ter uma cobrança de um mínimo a ser entregue, como se fosse proporcional à presença. Daqui a uma semana a gente já vai ter promulgado pelo nosso conselho, e homologado por mim, regras específicas sobre que tipo de retenção.”
Capital paulista
A partir desta quarta-feira (7), as escolas da rede pública e privada da cidade de São Paulo poderão abrir para atividades extracurriculares, conforme liberado pelo prefeito Bruno Covas (PSDB).
Apesar da autorização, na rede estadual, das 1.100 escolas na capital paulista, somente 100 vão reabrir. O secretário, entretanto, não considera que o número represente uma baixa adesão das instituições.
“Nós não entendemos que seja uma baixa adesão no caso da rede estadual. Primeiro porque a gente tem dito para a gente voltar com tranquilidade, quando a comunidade estiver mais preparada, a escola tem que estar absolutamente toda preparada, não pode ser um processo de volta a qualquer custo, de qualquer jeito, nós não defendemos isso, pelo contrário, queremos todos os cuidados”, afirmou.
Ainda de acordo com Rossieli, no estado, o número de escolas reabertas tem crescido aos poucos. Ele defende que o retorno seja gradual e só ocorra quando a comunidade escolar e as instituições estiverem prontas e equipadas.
“A gente cresceu já bastante no interior, vamos chegar, durante esta semana, a 700 escolas das 5 mil no estado, o que é um número já representativo da nossa rede. Se a escola não estiver em condição, ela não volta. Nós estamos indo às escolas e verificando se elas estão em condições adequadas.”
Estado
O governo de São Paulo decidiu manter a previsão de volta às aulas presenciais no estado para o dia 7 de outubro para toda a rede de ensino, da educação infantil ao ensino superior nas redes públicas e privadas, desde que os prefeitos liberem o retorno das atividades.
Especificamente para rede estadual, que tem cerca de 5 mil escolas, a gestão João Doria (PSDB) decidiu que apenas alunos do ensino médio e de Educação de Jovens e Adultos (EJA) devem voltar na data. A volta dos estudantes do ensino fundamental da rede estadual só deve acontecer em 3 de novembro. As demais redes podem definir quais séries vão priorizar.
ENTENDA: como será a volta às aulas presenciais no estado de São Paulo
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O governo estadual define as regras para a liberação das atividades escolares, mas os prefeitos têm autonomia para adotar medidas mais restritivas.
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Atividades opcionais
O governo estadual já havia autorizado escolas públicas e privadas de regiões que estão há pelo menos 28 dias na fase amarela do plano de flexibilização econômica a reabrir para reforço escolar e atividades complementares a partir do dia 8 de setembro, mas as prefeituras têm autonomia para permitir ou vetar a medida.
As regras para a reabertura foram publicadas no Diário Oficial no dia 1º de setembro. O governo anunciou que pagará adicional aos professores da rede pública que voltarem a trabalhar presencialmente. As aulas regulares devem continuar pela internet, no ensino à distância.
Em setembro, só foram liberadas atividades de reforço e extracurriculares, como orientação de estudos, plantão de dúvidas, avaliações, acolhimento emocional e atividades culturais. Atividades de educação física podem ser feitas – mas respeitando o distanciamento de 1,5 m – e de preferência, ao ar livre. Ficam proibidas feiras, palestras, reuniões e campeonatos esportivos.
Além dos protocolos de distanciamento, uso obrigatório de máscaras, disponibilização de álcool em gel, entradas e saídas escalonadas, as escolas poderão receber presencialmente, por dia, até 20% do total de alunos em todas as séries.
A participação dos alunos nas atividades presenciais não é obrigatória. Os estudantes do grupo de risco pra Covid-19 não podem voltar. Professores e servidores só voltam se assinarem um termo de responsabilidade.
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As escolas de toda rede de ensino do estado de São Paulo se preparam para a volta às aulas presenciais nesta quarta-feira (7) após quase sete meses de paralisação a. A retomada seguirá regras diferentes de acordo com as cidades.
Escolas de SP se preparam para volta às aulas nesta quarta-feira no estado
