
O prefeito Bruno Covas anunciou nesta terça-feira (18) que escolas da cidade de SP não poderão abrir para atividades de reforço em setembro, como foi autorizado pelo governo estadual para cidades que estão na fase amarela do plano de flexibilização. Escolas particulares vão à Justiça contra decisão que proíbe reabertura em setembro
O presidente do Sindicato dos Estabelecimentos de Ensino Particular de São Paulo (Sieeesp) disse nesta terça-feira (18) que pretende entrar na Justiça após o prefeito Bruno Covas (PSDB) anunciar que escolas da capital paulista não poderão abrir para atividades de reforço em setembro.
Segundo o plano estadual de volta às aulas, baseado no Plano São Paulo de reabertura da economia, as cidades que estão na fase amarela podem reabrir as escolas em setembro para atividades de reforço e retomar as aulas presenciais a partir do dia 7 de outubro.
“Nós vamos sim à Justiça. E a Justiça vai me dizer se a Secretaria de Saúde do estado é melhor do que a municipal ou a municipal é a melhor? Quem é que está certa? A estadual ou a municipal? […] Se o estado libera para o estado inteiro essa volta pra esses alunos, que estão precisando desse reforço, como é o aluno de zero a oito anos da escola privada, por que não liberar na capital? Se foi a primeira a passar pra fase amarela, será a primeira pra passar pra fase verde, enfim, não dá pra entender”, disse Benjamin Ribeiro.
De acordo com o prefeito Bruno Covas, as escolas particulares da capital paulista só poderão reabrir quando as municipais voltarem.
“Estamos falando de uma decisão que vale pra toda área de educação da Prefeitura de São Paulo. Claro que cabe ao prefeito e ao secretário de educação organizar as escolas municipais na retomada das aulas, mas as decisões municipais, elas são para todos. Então nós não teremos o retorno as aulas na cidade de São Paulo”, afirmou o prefeito.
Segundo o sindicato de escolas particulares, só na capital paulista há cerca de 4.500 escolas particulares com mais de 870 mil alunos.
Capital não vai abrir escolas em setembro
Inquérito sorológico
Covas baseou seu anúncio no resultado do inquérito sorológico realizado pela prefeitura em alunos da rede municipal, aponta que o retorno às aulas presenciais, ainda que com restrições, representa uma elevação do risco de contaminação por Covid-19 no município.
“A retomada às aulas, nesse momento, para a Prefeitura de São Paulo, significaria a ampliação do número de casos, ampliação em consequência do número de internações e do número de óbitos aqui na cidade de São Paulo, razão pela qual, na cidade de São Paulo, nós não teremos o retorno das aulas em setembro, como o estado autorizou de reforço com apenas 35% das salas funcionando. Isso não ocorrerá na cidade de São Paulo”, disse Bruno Covas na manhã desta terça-feira (18).
Mapeamento da Prefeitura de SP aponta que mais de 64% das crianças infectadas pelo coronavírus são assintomáticas
Reprodução/Prefeitura de SP
Covas não descartou a possibilidade de retorno em outubro, conforme previso pelo plano estadual, anunciado no início de agosto pela gestão de João Doria (PSDB). Entretanto, disse que aguarda definições da área das áreas técnicas.
“O coerente é a gente tomar decisão com o respalda da área da saúde. Foi a área da saúde que determinou a suspensão e a área da saúde que vai determinar quando é o momento apropriada do retorno às aulas. Depois que a área da saúde determinar o momento apropriado, aí a área da educação vai determinar de que forma que isso vai ser feito, se vai precisar contratar mais gente, se não precisa contratar mais gente. Aqui a gente precisa dar a previsibilidade possível aos pais, professores, aos alunos, mas vamos lembrar que é uma pandemia que nós estamos conhecendo o comportamento do vírus no meio do processo.”, disse o prefeito.
Mapeamento
Inquérito sorológico realizado pela Prefeitura de São Paulo aponta que 16% das crianças entre 4 e 14 anos já tiveram contato com o vírus e 64,4% das infectadas são assintomáticas.
Ainda segundo os dados, mais de 25% do alunos moram com pessoas que têm mais de 60 anos de idade, consideradas grupo de risco para a doença.
“Então, nós estamos falando de quase um milhão de alunos, nós estamos falando de 250 mil crianças que moram com os avôs, avós, tios, tias, com mais de 60 anos de idade e, portanto, podem agravar a disseminação da doença nessa faixa etária da população, que é o risco de maior vulnerabilidade”, afirmou Covas.
O inquérito sorológico foi realizado pela gestão municipal entre os dias 6 e 10 de agosto. Segundo a prefeitura, foram testados 6 mil alunos divididos em três fases:
2 mil alunos do Ensino Infantil (4 a 6 anos)
2 mil alunos do fundamental I ( 1º ao 5º ano, crianças de 6 a 10 anos)
2 mil alunos do fundamental II (6º ao 9º ano, crianças e adolescentes de 11 a 14 anos)
O objetivo da pesquisa é tentar descobrir, por amostragem, quantas pessoas já foram infectadas pelo novo coronavírus na cidade.
O exame sorológico avalia a presença de anticorpos específicos (IgM/igG). Portanto, identifica casos passados da doença. Ele é usado para monitorar a porcentagem da população que já teve contato com o vírus.
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Escolas particulares pretendem entrar na Justiça para reabrirem unidades na cidade de SP para reforço escolar em setembro
