
Afastamento de Willian Tristão deve durar 60 dias, enquanto instituição apura conduta. Em vídeo, ele aparece pedindo para estudante supostamente sem roupa abrir a câmera em troca de meio ponto. O professor e advogado William Tristão, em Franca, SP
Reprodução
A Faculdade de Direito de Franca (SP) afastou nesta sexta-feira (2) o advogado e professor Willian Tristão por 60 dias. Ele é alvo de uma sindicância para apurar um suposto ato de assédio contra uma aluna da instituição durante aula on-line.
Segundo a nota da faculdade, dentro desse período de dois meses, os fatos já terão sido apurados e o tempo de afastamento permite a ampla defesa do professor.
O Diretório Acadêmico pediu a abertura do processo administrativo após tomar conhecimento do vídeo em que Tristão pede para uma estudante que diz estar sem roupa abrir a câmera durante a aula. O professor repete o pedido em troca de meio ponto na disciplina, o que é rejeitado pela jovem. (Veja vídeo abaixo.)
O G1 aguarda posicionamento de Tristão sobre o afastamento das atividades. Anteriormente, ele alegou que foi mal interpretado ao fazer uma brincadeira.
A universitária do curso de direito não registrou boletim de ocorrência. O Ministério Público (MP) enviou um ofício à Polícia Civil com pedido para instauração de inquérito.
Professor pede para aluna que diz estar sem roupa abrir câmera durante aula on-line
Alunos pedem a demissão
Na quinta-feira (1º), em frente à Faculdade de Direito de Franca, cerca de 20 estudantes fizeram uma manifestação para pedir a demissão do professor.
O grupo também quer que a comissão formada pela faculdade para apurar o caso tenha mais mulheres e afirma que comportamentos como o de Tristão intimidam as alunas, que nem sempre têm coragem de denunciar os casos, segundo os manifestantes.
Em nota, a faculdade disse que não compactua com “atitudes que possam violar o decoro, o respeito e os bons costumes ou qualquer fato que gere desrespeito e afete a convivência entre professores, alunos, funcionários e sociedade civil”.
Estudantes fazem ato pela demissão de professor por suposto assédio contra aluna durante aula on-line em Franca, SP
Nathália Henrique/EPTV
Aula on-line
A aula aconteceu na noite de segunda-feira (28) de forma remota, já que as atividades presenciais estão suspensas na faculdade em virtude da pandemia de Covid-19.
O professor e advogado disse que fazia perguntas aos alunos referentes à disciplina. Ganharia meio ponto quem respondesse e acertasse.
Ele relatou que insistiu algumas vezes para que a estudante abrisse a câmera e falasse pelo microfone, mas ela disse que não podia, pois ia tomar banho e não estava vestida.
As imagens da aula, obtidas pela EPTV, afiliada da TV Globo, mostram o diálogo. Leia:
Professor: Abre a câmera aí.
Aluna: Não dá.
Professor: Deve estar horrível.
Aluna: Não, não é isso não. É porque eu ia tomar banho e estou sem roupa (risos). Não dá para abrir.
Professor: Abre a câmera aí.
Aluna: Não, não vou abrir.
Professor: (risos). Ou, está de sacanagem comigo?
Aluna: Não. Estou falando sério.
Professor: Meio ponto.
Aluna: Obrigada.
Professor: Não, para você abrir a câmera.
Aluna: Eu estudo. O que é isso?
Trecho da conversa da aluna e o professor durante aula on-line da Faculdade de Direito de Franca, SP
Reprodução
O que diz o professor
Tristão disse que tem liberdade com a estudante e que os pais deles trabalharam juntos. Além disso, informou que tem intimidade para brincar pois ela não é uma pessoa desconhecida para ele.
“Nesse momento eu fiz uma brincadeira com ela. Falei assim: ‘nossa’. Porque eu vinha atribuindo meio ponto pra várias pessoas. Falei: ‘não, abre a câmera aí que ganha meio ponto’. Essa é a conversa”, afirmou.
O professor contou que após a aula e no dia seguinte conversou com a aluna. Segundo ele, a jovem relatou que foi procurada pelo diretório acadêmico e por outros colegas, mas falou que não se sentiu ofendida e nem se sentiu assediada.
“Tecnicamente o direito protege a pessoa que é atingida. Então se a aluna não se sentir ofendida ou assediada, acabou. Não há que se falar em assédio. ‘Ah, mas eu luto com os direitos das mulheres’. São outros quinhentos. Isso pode ser uma questão ético-moral, não jurídica. O direito não se confunde com a moral”, disse.
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Assista ao EPTV 1 desta sexta-feira (2)
Faculdade afasta professor por suposto assédio contra aluna durante aula on-line em Franca, SP
