Famílias de Mogi driblam dificuldades para filhos continuarem estudo na rede pública

Em alguns casos, falta computador e o celular é o único meio para acompanhar tarefas. Secretaria Estadual de Educação planeja retomar as aulas a partir de 7 de outubro, de forma gradual e com restrições, como rodízio de estudantes. A internet é o meio que está permitindo que alunos das redes pública e particular consigam estudar em casa. Desde o início da pandemia do novo coronavírus em março, a vida dos estudantes mudou. A rede pública estadual retomou as aulas no final de abril.
E desde então, as famílias estão se virando como podem para manter as crianças e jovens estudando. Mesmo percebendo que o ensino à distância não é igual ao presencial. Em alguns casos, a falta de computadores e até de internet dificulta o aprendizado.
O governo de São Paulo anunciou que está trabalhando na criação de um 4º ano do Ensino Médio optativo para os estudantes. Segundo o secretário estadual da Educação, Rossieli Soares, o 4º ano será oferecido para alunos que estão atualmente no 3º ano do Ensino Médio e que desejam se preparar melhor para o vestibular.
A Secretaria Estadual de Educação planeja retomar as aulas a partir de 7 de outubro, de forma gradual e com restrições, como rodízio de estudantes. De acordo com a secretaria, haverá avaliação de condições de saúde mental, avaliação diagnóstica, reforço e recuperação (veja detalhes abaixo).
No começo de maio, o G1 conversou com três mães do Alto Tietê para saber quais as dificuldades tinham com o ensino remoto. Passados dois meses, voltamos a falar com duas famílias sobre quais as impressões e as dificuldades das aulas on-line.
Sem computador e internet
A auxiliar de cozinha Joice Modesto mora em Mogi das Cruzes e tem quatro filhos na rede pública estadual e municipal. Uma filha está no 7º ano do fundamental II, outra no 5º ano do fundamental I, um no 2º ano do fundamental I e outro no jardim.
Sem um computador em casa, as crianças contam apenas com um celular para estudar. “O celular está ruim e como tem muito grupo trava. É só um celular para todos estudarem. Às vezes a professora manda lição para o menino do 2º ano e eu copio em uma folha para ele fazer”, relata Joice.
A internet é outro problema na casa de Joice. “Em casa não funciona e usa do celular.” Ela chegou até a usar o sinal emprestado da vizinha.
A rotina na casa também mudou. Joice passou a deixar as manhãs para as filhas estudarem e os meninos mais novos estudam à tarde. “A do 7º ano está mais tranquila. Peguei o material com apostila e ela faz lição de casa que passam pelo Facebook.”
Joice completa que a filha mais velha tinha no começo aula on-line, mas agora os professores montaram um grupo e mandam mais lição pelo Facebook. A mãe conta que procurar ajudar a filha que também estuda com uma prima que também está no 7º ano.
Apesar de todos os esforços, Joice não está animada com o progresso dos filhos na escola no ano da pandemia. “Esse ano não vai dar para aproveitar muito do estudo.”
Gisele da Cruz Ramos tem dois filhos na rede estadual, um de 11 anos no 6º ano e outro de 17 anos no 3º do ensino médio. Ela afirma os dois acompanham as aulas pela televisão e contam com o auxílio de professores por grupos de whatsapp. “O meu filho do 6º tem o contato dos professores que passam lição toda a semana e, se tem dificuldade, ele faz uma videochamada e o professor explica.”
Durante a manhã, o menino de 11 anos assiste as aulas pela televisão. Apesar de todo o suporte, Gisele acha que as aulas presenciais são melhores para o entendimento das matérias. “Eles acabam se embananando com coisas novas. Meu filho foi para o 6º ano agora, ele teria coisas novas. Saiu da escola municipal foi para a escola estadual.”
Já o filho mais velho, de 17 anos, que está no 3º ano do ensino médio, assiste às aulas na televisão no final da tarde. A mãe conta que a sala dele também tem um grupo de whatsapp com os professores. “Eles enviam links por e-mail ou whatsapp por onde mandam lição. Cada um faz e entrega as lições dentro do prazo pedido pelo professor e se tem dúvida faz videochamada no privado e o professor atende e tira dúvida.”
No entanto, Gisele percebe que para o adolescente que encerra o ensino médio em 2020, o ano não foi dos melhores. “O Enem, se ele não quiser fazer esse ano, darei total apoio para ele, mas se quiser pode fazer. Prejudicou ele que está no último ano do médio. Teria o Enem, vestibular e então está sendo para ele meio que perdido. Já para o mais novo, não que esteja perdido, porque no ano que vem recupera. Mas se tiver um quarto ano do médio eu apoio, ele fazer de novo para estudar.”
Recuperação do Conteúdo
O governo do Estado traçou uma série de medidas na retomada das aulas presenciais nas escolas da rede pública. Elas vão desde avaliações para mensurar o aprendizado durante a pandemia até a implantação de um 4º do ensino médio em 2021.
O subsecretário de articulação da Secretaria Estadual da Educação, Henrique Pimentel, explica que quando houver o retorno dos alunos às escolas será feito um acolhimento.
“Vamos identificar a saúde mental do estudante e reconectá-lo com os professores e colegas. Também faremos uma avaliação diagnóstica para saber o que aprendeu ou deixou de aprender durante pandemia. E o terceiro momento é um reforço e recuperação. Ele vai atender estudantes que estão tendo com dificuldade em acompanhar as atividades por conta da tecnologia. Ele vai se estender até 2021”, afirma Pimentel.
O subsecretário completa que serão priorizados no retorno os estudantes com mais dificuldade. “Os professores terão um retrato e vão se dedicar em dar um apoio maior a esses alunos que não conseguiram acompanhar as atividades no isolamento.”
Pimentel ressalta que além das aulas pela televisão, o governo forneceu material impresso no início da suspensão das aulas presenciais. “Entregamos uma avaliação de aprendizagem, uma avaliação escrita que faz no final do bimestre e entregamos para os alunos realizarem em casa para mensurar o engajamento e é um elemento de apoio a aprendizagem. Pais levaram na escola e professores corrigiram. E sabem que teve gente que não conseguiu acompanhar.”
O retorno das aulas presenciais previsto para outubro deverá ter um limite de 35% dos alunos por sala. “O restante acompanhará por distância como é feito hoje.”
O aproveitamento dos dias restantes de 2020, é outra meta do governo, segundo Pimentel. Ele salienta que as aulas têm final previsto para 22 de dezembro. “Pensando em usar todos os dias. Vão ter alguma alteração de avaliação e recuperação, mas a ideia é usar todos os dias. E terá o centro de mídias nesse período, Parte presencial e parte à distância. E colocar mais programação no aplicativo para reforço e recuperação.”
Pimentel destaca que os estudantes que terminam o ensino médio em 2020, poderão contar com o 4º ano do ensino médio em 2021. Porém, isso será opcional e o estudante será consultado se deseja cursar mais um ano do médio.
“Se tem interesse faz a matrícula depois do Enem. Vamos esperar sair o resultado do Enem e Sisu para que aí ele possa frequentar o 4º ano do médio. A ideia é que tenha flexibilidade no componente com mais dificuldade.”
Quanto ao calendário escolar para 2021, Pimentel afirma que por enquanto não se pensa em planejamento por não saber como será cumprido o calendário de 2020.

By Midia ABC

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