
Programa ao ar livre garante isolamento e segurança para famílias e amigos que querem curtir momentos juntos e aproveitar a natureza. Fazendas de turismo rural estão oferecendo piquenique ao ar livre para manter o funcionamento durante a pandemia
Fazenda Irarema/Divulgação
Com os muitos obstáculos causados pela pandemia e a dificuldade de receber visitantes e abrir seus restaurantes, fazendas de turismo rural estão regstatando um programa simples, mas que tem se encaixado neste momento de distanciamento e busca por atividades ao ar livre: o piquenique.
O programa ao ar livre garante o isolamento e segurança para famílias e amigos que querem curtir momentos juntos e aproveitar a natureza.
Reivenção
Após mais de 70 escolas cancelarem suas reservas, os proprietários do sítio Santa Ângela, que oferece atividades pedagógicas em Santa Rita do Passa Quatro (SP), se viram diante de uma decisão difícil.
“Nós tínhamos dois caminhos: ou se arriscar e dar certo – como aconteceu – ou dispensar todos os colaboradores e rever o que a gente ia fazer com a parte dos animais porque é uma manutenção cara. A gente resolveu arriscar!”, contou Luís Gustavo Bianchi.
Fazendas de turismo rural investiram em piqueniques durante a quarentena
Sítio Santa Ângela/ Divulgação
Em julho, eles reabriram os portões com uma proposta totalmente diferente do que estava sendo realizado nos últimos dois anos, desde que foi iniciado o projeto.
“A gente teve que se reiventar. A minha esposa teve a feliz ideia e identificamos alguns espaços que a gente pudesse gerar momentos de lazer e segurança ao mesmo tempo para as famílias”, disse Bianchi.
O sítio de 32 hectares foi divido em oito espaços. Cada espaço contempla um tipo de atividade. Há lago para pescar, clareira no meio da mato, sítio paleontológico, brinquedos rústicos, feitos de pneus e troncos.
Ao chegar ao sítio Santa Ângela, os visitantes recebem um kit com os alimentos para fazer um piquenique
Sítio Santa Ângela/Divulgação
Os espaços devem ser previamente agendados para os períodos da manhã e da tarde. Ao chegarem, os visitantes tem a temperatura aferida e recebem um kit de alimentos para o piquenique com produtos produzidos na próprio sítio, como queijo, pães, rosca, bolo, suco natural e leite e podem usufruir do local por três horas.
“Cada espaço contempla uma esteira, mesa com cadeiras, rede e muita natureza, a gente tem incentivado algumas brincadeiras com folhas, sementes, são atividades que tinham sido perdidas”, afirmou Bianchi.
A única coisa que não é fornecida é a senha do wi-fi. “O momento pede essa reclusão, essa introspecção na natureza, despojar, são três horas para desligar realmente, curtir os filhos a família”, justifica o empresário.
Espaço paleontológico para piquenique no Sítio Santa Ângela, em Santa Rita do Passa Quatro
Sítio Santa Ângela/Divulgação
Pelo visto, a internet não está fazendo falta, o projeto do piquenique está tendo um ótimo resultado. No início de agosto, a agenda já estava lotada, e eles já estavam abrindo a de setembro.
“A gente não imaginava que ia ter uma repercussão tão forte. O piquenique surpreendeu. A gente não imaginava que as famílias estavam tão carentes desse momento de lazer entre eles. Nós temos famílias que estão indo para o terceiro fim de emana seguido. Há muitos relatos de famílias que estão isolados em apartamentos”, contou Bianchi.
O sítio tem recebido desde casal com bebê até famílias inteiras que trazem até os avós, que estão vindo de toda a região.
Com o bom resultado, o piquenique já está garantido na programação do sítio depois da pandemia.
“A ideia inicial era de manter apenas projetos pedagógicos de segunda a sexta, com escolas. A gente tinha pedidos para abrir aos fins de semana para famílias, mas como projeto estava muito bem, a gente achava que não era o momento com medo de se perder, porque uma coisa é atendimento pedagógico outra coisa é atendimento de famílias, mas não dá para regredir nisso, acho que daqui pra frente é mais um produto, em meio a pandemia a gente se reiventou.
Busca por ar livre
Piquenique é opção oferecida por fazendas de turismo rural
Fazenda Irarema/Divulgação
Em São Sebastião da Grama, o piquenique surgiu na Fazenda Irarema como uma solução para atender os turistas que vão visitar a produção de azeite e aproveitar as belezas do local.
“A Vigilância Sanitária não estava permitindo consumo no local para bares e restaurantes. Só estavam permitindo drive-thru e take away (sistema que o cliente pega o pedido). O meu forte era o brunch, que era self-service, aí não tinha jeito mesmo. Agora, drive-thru em uma fazenda é meio difícil (risos), o piquenique entrou no take away, foi um jeito de encaixar o consumo das pessoas que vinha para cá dentro do que a Vigilância me pediu”, contou a sócia Gabriela Carvalho Dias.
O serviço começou a ser oferecido em março. No início, os visitantes podiam pedir qualquer produto do cardápio do restaurante em sistema de livre escolha, mas diante da grande demanda que gerava demora para montar as cestas personalizadas, Gabriela resolveu oferecer cestas prontas com os produtos que mais saiam e montou três opções.
Também é possível acrescentar opções de petiscos e bebidas extras disponíveis no cardápio. Grande parte dos produtos é feita na própria fazenda.
Piquenique da fazenda Irarema em São Sebastião da Grama
Fazenda Irarema/Divulgação
“A gente tenta fazer o máximo possível com o que a gente produz, o suco é do nosso pomar, o morango do brownie é daqui, o café é daqui, alguns pães são feitos aqui, o pão de queijo é feito aqui, o pernil é”, diz Gabriela.
As cestas podem ser adquiridas das 9h às 15h e não é preciso fazer reserva. Além dos alimentos, são fornecidos toalha e utensílios para serem usados durante o piquenique. Com as cestas em mãos, os visitantes podem escolher um lugar livre para se instalarem. Há espaços próximos ao parquinho, em volta do lago ou no vasto gramado que há na entrada da fábrica de azeite.
A ideia é um tremendo sucesso, a fazenda já teve chá de revelação e comemoração de aniversário usando o sistema. São feitos uma média de 130 piqueniques por fim de semana.
“A pandemia trouxe um movimento anormal para a gente porque o pessoal está procurando ar livre”, analisa Gabriela.
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