Funcionários dos Correios da região de Piracicaba aderem à greve nacional, diz sindicato


De acordo com entidade que representa os trabalhadores, maioria dos que pararam é do setor operacional e haverá impactos na entrega de encomendas. Greve começou na noite de segunda-feira (17). Central de Distribuição dos Correios em Piracicaba, onde trabalhadores paralisaram
Edijan Del Santo/EPTV
Funcionários dos Correios na região de Piracicaba (SP) aderiram à greve nacional da estatal. Segundo o Sindicato dos Trabalhadores de Correios de Campinas e Região (Sintect-Cas), entre as três maiores cidades da região, a adesão é de 70% em Piracicaba e Santa Bárbara d’Oeste (SP) na manhã desta terça-feira (18). Ainda não há informações sobre a adesão em Limeira.
A paralisação começou às 22h de segunda-feira (17) e não há prazo para a retomada das atividades. A Federação Nacional dos Trabalhadores em Empresas dos Correios e Similares (Fentect) diz que os trabalhadores reivindicam a garantia de direitos trabalhistas e são contra a privatização.
Segundo Luciano Lima, diretor jurídico do Sintect-Cas, a maioria dos grevistas na região é parte operacional dos Correios. Ele afirma que ainda não é possível dizer, no entanto, quais modalidades de entrega serão mais impactadas com a paralisação.
“A certeza é que haverá reflexos na entrega de cartas e de encomendas. Por mais que muitas agências continuem funcionando, principalmente por algumas serem franqueadas, de nada adianta se quem faz a separação e entrega está parado”, disse.
Centro de Distribuição de Piracicaba, na Avenida 31 de Março, nesta terça-feira
Edijan Del Santo/EPTV
De acordo com a entidade que representa os trabalhadores da estatal na região, Piracicaba tem uma central de distribuição dos Correios e dois Centros de Distribuição Domiciliária (CDD), o que totaliza cerca de 210 servidores – a maioria com os braços cruzados.
Já em Santa Bárbara d’Oeste, há um CDD dos Correios. Até esta publicação, não havia informações da adesão ao movimento em Limeira (SP).
“Somos uma classe desvalorizada em comparação às outras estatais e queremos que seja mantido um acordo coletivo que compense as perdas que temos”, acrescentou Lima, explicando que são realizadas assembleias diárias em Campinas (SP).
Os Correios afirmam que ainda não é possível contabilizar a adesão nem os serviços impactados e que essas informações podem ser divulgadas ainda nesta terça-feira (veja a íntegra da nota no fim da reportagem).
Correios-entrega
Divulgação
Greve nacional
A Fentect afirmou ao G1 que os sindicatos tentam dialogar desde julho com a direção dos Correios sobre as reivindicações e que, em agosto, a categoria foi surpreendida com a revogação do atual Acordo Coletivo que estaria em vigência até 2021.
Segundo a federação, foram retiradas 70 cláusulas com direitos, como adicional de risco, vale alimentação, licença maternidade de 180 dias e indenização em caso de morte, além de pagamento de adicional noturno e horas extras.
Confira a íntegra da nota enviada pelos Correios ao G1:
Os Correios não pretendem suprimir direitos dos empregados. A empresa propõe ajustes dos benefícios concedidos ao que está previsto na CLT e em outras legislações, resguardando os vencimentos dos empregados conforme contracheques em anexo que comprovam tais afirmações.
Sobre as deliberações das representações sindicais, os Correios ressaltam que possuem um Plano de Continuidade de Negócios, para seguir atendendo à população em qualquer situação adversa.
No momento em que pessoas e empresas mais contam com seus serviços, a estatal tem conseguido responder à demanda, conciliando a segurança dos seus empregados com a manutenção das suas atividades comerciais, movimentando a economia nacional.
Desde o início das negociações com as entidades sindicais, os Correios tiveram um objetivo primordial: cuidar da sustentabilidade financeira da empresa, a fim de retomar seu poder de investimento e sua estabilidade, para se proteger da crise financeira ocasionada pela pandemia.
A diminuição de despesas prevista com as medidas de contenção em pauta é da ordem de R$ 600 milhões anuais. As reivindicações da Fentect, por sua vez, custariam aos cofres dos Correios quase R$ 1 bilhão no mesmo período – dez vezes o lucro obtido em 2019. Trata-se de uma proposta impossível de ser atendida.
Respaldados por orientação da Secretaria de Coordenação e Governança das Empresas Estatais (SEST), bem como por diretrizes do Ministério da Economia, os Correios se veem obrigados a zelar pelo reequilíbrio do caixa financeiro da empresa. Em parte, isso significa repensar a concessão de benefícios que extrapolem a prática de mercado e a legislação vigente. Assim, a estatal persegue dois grandes objetivos: a sustentabilidade da empresa e a manutenção dos empregos de todos.
Veja mais notícias da região no G1 Piracicaba.

By Midia ABC

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