Governo de SP quer mais R$ 34 milhões em doações para elevar capacidade prevista de produção de vacinas contra Covid-19


Instituto Butantan prevê dobrar a capacidade de produção de vacinas contra Covid-19 com doações obtidas com empresários. Governo estima que sejam necessários R$ 130 milhões para adaptar uma fábrica do Butantan que hoje não está em operação. Foto do Governo do Estado de São Pahlo mostra voluntária tomando vacina experimental contra a Covid-19 da farmacêutica chinesa Sinovac, que está sendo testada no Brasil, no dia 21 de julho, na capital paulista.
Handout / Governo do Estado de São Paulo / AFP
O governador de São Paulo, João Doria (PSDB), anunciou nesta quarta-feira (29) que obteve R$ 96 milhões de reais em doações para aumentar a capacidade de produção de vacinas contra Covid-19 no Instituto Butantan.
O governo estima que sejam necessários R$ 130 milhões para a empreitada – faltam, portanto, R$ 34 milhões em doações para que as obras de adaptação sejam financiadas. Os detalhes do acordo com a Sinovac, laboratório chinês que desenvolve a vacina em parceria com o Butantan, são sigilosos.
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Em coletiva de imprensa, Doria disse que “a meta colocada por Dimas Covas [diretor do Instituto Butantan] é dobrar de 60 milhões para 120 milhões de doses da vacina” a serem produzidas pelo instituto.
No entanto, em comunicado oficial enviado a jornalistas na tarde desta quarta, o governo afirma que a “meta é alcançar R$ 130 milhões para dobrar a atual capacidade do Instituto Butantan, que é de 120 milhões de doses por ano”. Portanto, dobrar a meta resultaria na produção de 240 milhões de doses por ano, segundo o release.
Na semana passada, em apresentação online, Dimas Covas, diretor do Butantan, anunciou que a produção do Butantan seria de 100 milhões de doses por ano, e não 120 milhões, como destaca o comunicado oficial desta quarta. Ele apresentou slides que mostram a previsão de produção de 100 milhões de doses.
“O acordo tem várias fases. A fase 1 é este estudo clínico que está em andamento, que começou esta semana com 9 mil voluntários. A fase 2, que é a formulação e envase, esperamos começar isso em outubro ou novembro, já com o acordo preliminar para 120 milhões de doses. E a terceira fase é a produção futura de 100 milhões de doses por ano em uma fábrica que já existe no Butantan e que está sendo rapidamente adaptada, em um prazo de 10 a 15 meses, para que possa entrar em produção”, disse Dimas Covas na ocasião.
Dimas Covas, diretor do Instituto Butantan, apresenta slide que prevê produção de 100 milhões de doses de vacina contra Covid-19
Reprodução
Além da produção de vacinas no Butantan, o acordo com o laboratório chinês prevê ainda o envio de doses prontas da vacina, fabricadas na China. Segundo o governo, serão 60 milhões ainda neste ano e outros 60 milhões de doses no primeiro trimestre de 2020, totalizando mais 120 milhões de doses.
Caso a última etapa de testes comprove sua eficácia, a vacina chinesa deve ser aplicada em duas doses, portanto, 120 milhões de doses equivalem a 60 milhões de vacinados.
Readequação do Butantan
Se a vacina desenvolvida em parceria pela Sinovac e Butantan for aprovada nos testes clínicos, sua produção em solo nacional será feita em uma fábrica do Butantan que já existe e que será adaptada. É esta adaptação que requer recursos que estão sendo angariados via doação.
O local que deve ser utilizado, chamado pelo Butantan de Centro Multipropósito para Produção de Vacinas (CMPV), tem uma área de mais de 2,5 mil metros quadrados e, atualmente, encontra-se fora de operação.
Segundo Dimas Covas, o Butantan tem experiência no desenvolvimento de vacinas similares à que é desenvolvida pela Sinovac por fabricar uma vacina contra a dengue, ainda não aprovada em estudos clínicos, que utiliza a mesma tecnologia.
“A Sinovac tem atualmente três sítios produtivos [na China] e vai para o quarto, especificamente para a vacina para o coronavírus. Essa nova fábrica deve entrar em operação agora em setembro e vai atingir um potencial de produção de 300 a 500 milhões de doses por ano”, disse Dimas Covas.
“Por outro lado, o Butantan também é um grande produtor. A nossa fábrica da vacina contra a dengue, que é uma vacina que já está sendo produzida embora não tenha terminado o estudo de fase três, é bom mencionar porque é a mesma tecnologia que é usada para a produção da vacina para o coronavírus pela Sinovac, baseada em cultura de células. Nós dominamos essa tecnologia. Temos já uma grande experiência.” – Dimas Covas, diretor do Instituto Butantan
Em slide apresentado na semana passada, Dimas Covas fez um resumo das obras de readequação a serem feitas no CMPV. Na apresentação, o valor da adequação é estimado em R$ 120 milhões, sendo 40% deles destinados a compra de equipamentos e 60% para investimentos em tecnologia, valor que difere dos R$ 130 milhões requisitados por Doria a empresários.
Dimas Covas apresenta detalhes da readequação do Instituto Butantan para a produção de vacina contra Covid-19
Reprodução
Segundo o governo, a campanha por doações segue até o final de agosto” para que os R$ 34 milhões restantes sejam arrecadados com apoio de empresas e grupos filantrópicos privados.”
O governo afirma ainda que “as doações serão transferidas integralmente à Fundação Butantan e verificadas por empresas de consultoria de atuação global para reforçar a transparência da iniciativa.”

By Midia ABC

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