Hospital São Paulo nega atendimento a menino de 2 anos que viajou 200 Km após autorização para transferência


Segundo enfermeira que acompanhou transferência, atendimento foi negado por um médico que alegou falta de maca na emergência. Kaique tem problema renal. O G1 entrou em contato com a Organização Social SPDM e com a Unifesp, que administram o hospital, e aguarda retorno. Criança tem atendimento negado e aguarda na porta do Hospital São Paulo, na Zona Sul da capital, na noite desta quarta-feira (2).
Arquivo pessoal
Um menino de 2 anos com problemas renais teve atendimento negado nesta quarta-feira (2) no Hospital São Paulo, na Zona Sul da capital paulista, após viajar mais de 200 Km da cidade onde mora para uma transferência hospitalar que já havia sido aprovada. A família está na porta do hospital desde as 16h e terá que voltar para Sete Barras, no Interior do estado, sem ter sido atendida.
Kaique da Rocha possui síndrome nefrótica, doença que atrapalha a filtragem de resíduos nos rins. De acordo com a sua avó Maria Domingues de Ramos, ele faz acompanhamento desde que nasceu. Nos últimos dias, teve piora no quadro com inchaço, mas não havia vaga no Hospital de Registro, cidade com atendimento especializado mais próxima a Sete Barras.
O garoto foi então transferido por meio da Central de Regulação de Ofertas de Serviços de Saúde (CROSS), que gerencia as vagas na rede de saúde do estado. Documento obtido pelo G1 mostra a aprovação do Hospital São Paulo para a transferência do paciente nesta quarta-feira (2).
A secretaria municipal da Saúde de Sete Barras disponibilizou o transporte de Kaique para São Paulo. Segundo a enfermeira que acompanha a transferência do garoto, Rafaela Rayssa da Costa, eles chegaram por volta das 16h na emergência do Hospital São Paulo com toda a documentação da transferência, mas o atendimento teria sido negado por um médico que alegou falta de maca na emergência.
“A gente chegou um pouco antes das 16h porque o paciente tinha sido aceito. Eu pedi para a atendente me orientar, o médico veio até mim e simplesmente disse que não ia atender porque não tinha leito e não tinha vaga. Barrou na porta. É muito descaso não atender uma criança. Eu chamei a Polícia Militar e eles disseram que não vão atender mesmo. Depois de viajar mais de 200 km, vamos voltar para Sete Barras sem atendimento”, disse a enfermeira.
O Hospital São Paulo é um hospital universitário da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e administrado conjuntamente pela Organização Social (OS) Associação Paulista Para o Desenvolvimento da Medicina (SPDM).
O G1 entrou em contato com a SPDM às 19h50 questionando o motivo de o atendimento ter sido negado e aguarda retorno. Por telefone, a assessoria de imprensa da Unifesp informou que vai apurar a situação e retornar.
Até as 21h desta quarta-feira, o garoto aguardava na porta do hospital, sem atendimento, a liberação de uma ambulância para voltar para Sete Barras.
“Ele nasceu com problema renal. Sempre fica internado no hospital regional, mas como lá não estava tendo vaga, encaminharam pra cá. E chega aqui com o papel, com tudo, e não consegue”, disse a avó do garoto.
O G1 também procurou a Secretaria Estadual da Saúde para questionar a liberação da vaga por meio do sistema Cross. Em nota, a pasta respondeu que “a Cross faz apenas a intermediação entre origem e destino no processo de regulação” e que o acolhimento é de responsabilidade do “serviço de destino”, no caso o Hospital São Paulo.

By Midia ABC

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