Isabella Scherer, vencedora do Masterchef 2021, compartilhou com seus seguidores que foi diagnosticada com toxoplasmose logo no início da gestação. Com oito meses de gravidez atualmente, a chef utilizou suas redes sociais para falar sobre a situação.
Sobre a descoberta e a transmissão
A chef relatou que identificou a toxoplasmose no início da gravidez, possivelmente antes de completar dez dias desde a infecção. Ela realizou mais dois testes, na esperança de se tratar de um falso positivo, mas confirmou a contaminação.
A toxoplasmose é uma zoonose bastante prevalente em todo o mundo, conforme informado pelo Ministério da Saúde. Essa doença é provocada pelo protozoário Toxoplasma gondii, sendo transmitida principalmente pela ingestão de água ou alimentos contaminados.
Em sua postagem no Instagram, Isabella expressou sua incerteza sobre como contraiu a infecção. “Não sei”, declarou. “Durante esta gravidez, estava muito mais preocupada com saladas, frutas e carnes mal cozidas ou cruas.”
A detecção ocorreu durante um exame rotineiro. O Ministério da Saúde recomenda que as gestantes sejam testadas para toxoplasmose no primeiro trimestre da gravidez.
É fundamental manter acompanhamento pré-natal e seguir as orientações fornecidas pelas equipes de saúde, especialmente em casos de toxoplasmose na gestação.
CONFIRA: Tom Holland ocupa a última posição em ranking das atuações de A Odisseia
Esclarecimento sobre gatos e a doença
Isabella também mencionou que almoçou com seu pai, cuidador de gatos, e esclareceu que os animais foram testados e apresentaram resultados negativos.
Embora os felinos sejam os hospedeiros definitivos do protozoário, incluindo onças e jaguatiricas, eles não são diretamente responsáveis pela propagação da doença.
O parasita é eliminado nas fezes dos gatos, contaminando o meio ambiente e outros animais “de sangue quente”, como aves. Os humanos podem contrair a doença ao consumir água ou alimentos contaminados de origem animal ou vegetal.
LEIA TAMBÉM: Atriz criada em família surda e estrela de Godzilla vs. Kong morre aos 18 anos
Riscos associados à toxoplasmose
A infecção por toxoplasmose durante a gestação pode resultar na transmissão para o bebê, conhecida como transmissão congênita. O Ministério da Saúde alerta que essa forma da doença pode ser particularmente grave.
Entretanto, uma mãe infectada não garante que o recém-nascido será afetado. As chances diminuem quando a infecção ocorre mais cedo na gestação, como foi o caso de Isabella.
Estudos indicam que o risco de transmissão vertical é de 17% se a infecção aguda ocorrer no primeiro trimestre; esse percentual aumenta para 25% no segundo trimestre e atinge cerca de 65% no terceiro. Se acontecer no último mês da gestação, as chances podem ultrapassar 90%, conforme dados da Secretaria de Saúde do Rio Grande do Sul.
Os riscos incluem possíveis sequelas visuais, neurológicas e motoras no recém-nascido, que podem aparecer tanto ao nascer quanto em diferentes fases do desenvolvimento ao longo da infância até a vida adulta.
Quem está em risco?
Além das gestantes, outros grupos estão suscetíveis à doença, incluindo pessoas com imunidade comprometida e recém-nascidos.
Indivíduos com baixa imunidade podem apresentar sintomas mais severos e uma evolução mais grave da infecção, afetando inclusive o cérebro.
Sintomas da infecção
O Ministério da Saúde informa que muitos indivíduos não apresentam sintomas evidentes. No entanto, os sinais podem variar conforme o estágio da contaminação.
Na fase inicial (aguda), os sintomas da toxoplasmose podem ser confundidos com os de outras viroses ou doenças bacterianas. Entre eles estão dores musculares, fadiga extrema, perda de apetite, febre e alterações nos gânglios linfáticos na região cervical.
Outros indícios incluem problemas oculares como uveítes e inflamações que afetam o trato uveal e retina.
Confira os principais sintomas para diferentes grupos:
- Pessoas com baixa imunidade: podem ter sintomas mais graves como confusão mental e convulsões.
- Gestantes: podem não apresentar sinais claros; por isso é vital realizar consultas regulares durante o pré-natal para diagnóstico precoce e tratamento adequado.
- Recém-nascidos: a maioria dos bebês com toxoplasmose congênita não mostra sinais clínicos visíveis ao nascer.
ENTENDA: Bebê declarado morto é encontrado vivo em saco para cadáveres: “Desesperador”
Tratamento disponível
Isabella também compartilhou sobre os medicamentos necessários durante seu tratamento, destacando que estavam disponíveis pelo Sistema Único de Saúde (SUS).
Além dos medicamentos oferecidos gratuitamente pelo SUS, o tratamento deve ser adaptado às necessidades específicas das gestantes e crianças sob supervisão médica adequada.
Métodos de prevenção
A melhor maneira de prevenir a toxoplasmose é manter uma boa higiene das mãos e evitar consumir água ou alimentos potencialmente contaminados.
Dicas para prevenir a toxoplasmose
Alimentos de origem animal:
- Cozinhe cortes inteiros de carne suína, cordeiro ou bovina por pelo menos 65,6 °C por 3 minutos após o cozimento; carne moída deve atingir 71,1 °C; aves devem ser cozidas até 73,9 °C.
- Cozinhar no micro-ondas não garante a morte do protozoário;
- Congelar carnes a temperaturas internas abaixo de -12 °C;
- Ao manusear carnes cruas ou frutos do mar, lave bem as mãos antes de tocar outros alimentos e higienize superfícies adequadamente;
- Frutos do mar devem ser bem cozidos;
- Evitam-se carnes cruas ou malpassadas;
- Bebidas lácteas feitas com leite não pasteurizado devem ser evitadas.
Frutas e verduras:
- Lave bem frutas e legumes utilizando água tratada antes do consumo;
- Desinfete superfícies após contato com produtos não lavados;
- A escovação das frutas e legumes também é recomendada durante a lavagem adequada.
Água:
- Beba água tratada: o consumo seguro é essencial na prevenção contra a doença;
- Ferva a água: a fervura por cinco minutos é um método adicional recomendado;
- Mantenha limpas as caixas d’água: é importante realizar limpeza periódica para garantir água potável segura;
Meio ambiente:
- Cubra caixas de areia quando não estiverem em uso para evitar contaminação por gatos;
- Nunca alimente gatos com carne crua ou malpassada;
- Troque diariamente as areias dos gatos;
- Pessoas grávidas e aqueles com sistema imunológico comprometido devem evitar manusear caixas de areia;
- Caso ninguém possa trocar as areias dos gatos use máscara facial e luvas adequadas enquanto higieniza as mãos após;
- Pessoas grávidas devem usar luvas ao fazer jardinagem;
- A indústria alimentícia deve seguir boas práticas para manter qualidade nos alimentos produzidos;
- A agricultura deve implementar práticas eficazes para minimizar contaminações nos cultivos.
As orientações sobre prevenção à toxoplasmose foram extraídas da Secretaria de Saúde do Paraná.
