
Pandemia do novo coronavírus também vem afetando a saúde emocional de muitas pessoas, que veem sentimentos como a ansiedade e principalmente o medo mudarem seu estilo de vida. Isolamento social e possibilidade de contaminação podem causar síndrome do medo
A pandemia do novo coronavírus trouxe novos hábitos, especialmente de higiene, mas essa não é a única herança deste período de quarentena.
O isolamento social e a possibilidade de uma contaminação “invisível” podem acarretar problemas graves para a saúde emocional, como é a Síndrome do Medo. Ela se manifesta em situações como a atual, quando, para algumas pessoas, o simples fato de pensar em sair de casa causa extremo pavor.
Durante a quarentena, muitas pessoas sentem algumas das emoções mais afloradas. Ou, então, sensações nunca antes sentidas por alguns vieram à tona.
Quando sentimentos como angústia, ansiedade, estresse e principalmente o medo se instalam e mudam o estilo de vida de alguém, a ponto de a pessoa não conseguir ter mais contato com ninguém, pode ser o que vem sendo chamado de Síndrome Fogo (Fear of Going Out), que, em português, representa o medo de sair de casa. Trata-se de uma nova fobia que apareceu neste período de pandemia e que, apesar de ser recente, sem publicações científicas, tem atingido homens e mulheres, segundo especialistas.
“Fiquei paranoico e pensando: poxa, agora não vou poder sair? No meu caso, trabalho com festas e eventos. Tudo bem que parou. Mas não vou poder nem para respirar?”, disse o autônomo Reginaldo Barros Vicente.
“Como tivemos algumas perdas e tivemos que nos acostumar a ficar em casa, teve gente que pensou: ‘ficar em casa não é tão ruim assim. Tem o seu lado bom também’. E agora? Algumas empresas já estão pedindo para as pessoas retornarem. As pessoas estão com medo, com pavor, crise de ansiedade, começam a transpirar e até se sentindo culpadas, pensando: e se eu sair e trouxer o vírus para dentro da minha casa?”, explicou a palestrante Patrícia Santos.
Com a pandemia, algumas pessoas desenvolveram medo de sair de casa
Reprodução/TV Diário
“A Síndrome do Pânico é muito mais forte. Ela não tem a ver com a pandemia. O que a gente sabe é que, claro, com todo esse processo da pandemia, quem já sofre com a Síndrome do Pânico, vai aumentar, porque agora tem até um motivo para dizer: ‘olha, estou com medo, não quero sair’. Agora essa síndrome é específica para confinamentos e pandemias. São pessoas que não têm síndromes, mas acaba aparecendo esse tipo de comportamento”, completou.
Há cerca de seis anos, Patrícia trabalha com gerenciamento da raiva, uma emoção forte e que muitas vezes é usada como proteção. Por isso, saber lidar melhor com os sentimentos ajuda a enfrentar as novas realidades impostas.
“A raiva quebra mitos. Na verdade, todas as pessoas nascem com raiva. Ela faz parte do nosso pacote de emoções básicas. Ela tem, sim, a sua função de nos proteger, de também termos um entendimento de que tem alguma coisa errada, que precisa de mudança e melhoria, ou então para colocar limites”.
Um site especializado em analisar o comportamento dos consumidores constatou que os brasileiros ainda se sentem inseguros em frequentar os mesmos lugares de antes da pandemia. A pesquisa mostrou, por exemplo, que 76% não iriam ao cinema, 49% não iriam aos restaurantes, e 45% não iriam aos shoppings.
“A gente continua com medo. Aquele medo inicial ainda não passou. Hoje, tudo que chega do mercado é esterilizado antes de entrar em casa. É tudo muito limpo. Apesar de ver que está tudo voltando ao normal, a gente não voltou. Continuamos com o mesmo medo que tínhamos no começo”, falou a advogada Suelen Yamazaki.
Suelen mora em Mogi das Cruzes. Desde março, ela, os três filhos e o marido seguem à risca a quarentena. A convivência forçada, no começo, foi difícil. O esporte tem ajudado a controlar um pouco as emoções. Mas, até nessa hora, o medo ainda faz companhia.
“Meu caçula já fazia terapia porque é muito ansioso, então teve que intensificar a terapia, porque ficou muito estressado. As adolescentes começaram a brigar mais. A paciência acabou meio que sumindo. Eu pedalo, corro na rua de casa mesmo para desestressar. A corrida, para mim, é uma terapia. E as meninas tentam, do jeito delas, tirar o foco da situação”.
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Isolamento social e possibilidade de contaminação fazem algumas pessoas desenvolverem síndrome do medo de sair de casa
