Jovem vence dificuldades para se formar em medicina e cria cursinho popular para ajudar estudantes que sonham com ensino superior


O projeto Cursinho Popular Júnia Shizue Sueoka tem o objetivo de auxiliar os pré-vestibulandos de Mogi das Cruzes que farão o Exame Nacional de Ensino Médio (Enem). Guilherme fez 4 anos de crusinho pré-vestibular para entrar no curso de medicina.
Arquivo pessoal/ Guilherme Toshio Domingue
Foi pensando na dificuldade em prestar vestibular para o curso de medicina, que Guilherme Toshio Domingues, de 26 anos, teve a ideia de criar um cursinho popular. O foco é auxiliar os estudantes pré-vestibulandos de Mogi das Cruzes que farão o Exame Nacional de Ensino Médio (Enem).
Domingues fez quatro anos de cursinho para passar em medicina. Mesmo tendo estudado em colégio particular, sentiu dificuldades em algumas matérias e passou a se questionar como era difícil pagar cursos que complementassem as competências do ensino médio dos alunos de escolas públicas.
Além dos custos com o cursinho pré-vestibular, ele também encontrou outros obstáculos para se tornar médico, como as mensalidades caras e o aluguel.
“Passaram os anos de cursinho e eu entrei na faculdade. Logo no começo, meus pais tiveram muita dificuldade em pagar as mensalidades, pois são muito caras e além disso tinham que pagar o aluguel para morar fora de casa, pois sou de São Paulo. Então comecei a trabalhar para juntar um dinheiro para ajudar com os custos”, conta.
Durante o curso de medicina, a médica e professora Junia Shizue Sueoka contou à Guilherme sobre as dificuldades financeiras que encontrou para se formar em medicina e que a família de uma amiga que a ajudou a terminar. Para a professora, era importante manter uma corrente do bem, em que um dia a pessoa recebe a ajuda e no outro retribui ajudando outras pessoas. Ela e outros médicos formados se propuseram a ajudar Guilherme a continuar com os estudos.
Por isso, a iniciativa ganhou o nome de “Cursinho Popular Júnia Shizue Sueoka”. “Ela se disponibilizou a me ajudar porque tinha passado em outra faculdade que era mais barata, inclusive ia cancelar o curso em Mogi, mas ela falou com meus pais e se prontificou a me ajudar financeiramente, durante 6 anos, até eu me formar” conta Guilherme.
Ao começar a atender os pacientes, Guilherme percebeu que era sempre questionado sobre a dificuldade de prestar vestibular para medicina. Então surgiu a ideia do projeto, e com o esboço na mente, decidiu procurar alguns amigos de curso para ajudarem.
“Quando comecei a ter mais contato com pacientes e a população, durante os estágios e em projetos, diversas vezes escutei frases como deve ser difícil passar ou eu queria muito fazer medicina, mas não sou inteligente para passar. Essas questões me faziam pensar na importância que nós temos para a população e como somos jovens de sorte em poder cursar medicina e mais ainda por se tratar de uma universidade particular”.
O projeto que teve início em 2018, atualmente conta com 15 voluntários e está com inscrições abertas até o dia 17 de agosto. As aulas serão de segunda a sexta-feira, durante o período noturno.
Por causa da pandemia do novo coronavírus, o projeto que seria presencial, será realizado por meio de uma plataforma on-line. O acompanhamento de dúvidas será on-line a princípio, para aqueles que têm o acesso à internet e presencial. Já para aqueles que não têm acesso, será disponibilizado um espaço físico.
“Estamos entrando em contato com ONGs de Mogi e buscando auxílio com a Prefeitura para conseguirmos um espaço físico para aqueles que não têm acesso a computador ou internet. Uma de nossas parcerias está tentando viabilizar com grandes empresas de telefonia, o acesso à internet gratuito durante o período de aula, para aqueles que têm computador ou celular sem internet. Para isso vamos divulgar um formulário para vermos a quantidade de jovens”, explica o jovem.
Os interessados podem realizar as inscrições por meio de um formulário disponibilizado. Inicialmente será formada uma turma de 30 a 35 alunos. Para mais informações, acesse as redes sociais do projeto.
*Texto supervisionado por Fernanda Lourenço.

By Midia ABC

Veja Também!