O mês de junho é reconhecido mundialmente pela campanha Junho Laranja, que se dedica a aumentar a conscientização sobre a infertilidade. Essa condição afeta milhões de indivíduos e ainda é envolta por mitos e desinformação. O movimento visa promover discussões sobre saúde reprodutiva, incentivar diagnósticos precoces e apresentar opções de tratamento que podem ser benéficas para casais e pessoas que desejam ter filhos.
A Organização Mundial da Saúde (OMS) classifica a infertilidade como uma condição do sistema reprodutivo, que pode afetar tanto homens quanto mulheres. Geralmente, é definida pela dificuldade em engravidar após um ano de tentativas regulares sem o uso de métodos contraceptivos.
O médico Nilo Frantz, especialista em medicina reprodutiva, enfatiza: “Historicamente, a infertilidade foi um tema rodeado por culpa e preconceito. O Junho Laranja desempenha um papel crucial ao ampliar essa discussão, oferecendo informações precisas e esclarecendo que a infertilidade é uma condição médica, não uma escolha ou motivo de vergonha. Quanto mais falarmos sobre o tema, mais rapidamente as pessoas buscarão diagnóstico e tratamento apropriados.”
Quais são as causas da infertilidade?
As principais causas da infertilidade feminina incluem condições como endometriose, desequilíbrios hormonais, baixa reserva ovariana, síndrome dos ovários policísticos, idade avançada e obstruções nas trompas. Nos homens, os fatores mais frequentemente associados à infertilidade dizem respeito à qualidade ou quantidade dos espermatozoides, além de questões hormonais, genéticas e hábitos de vida.
A médica Simone Mattiello, especialista em reprodução assistida na Nilo Frantz Medicina Reprodutiva, destaca a relevância de informações precisas sobre fertilidade. “Muitas pessoas ainda pensam que a infertilidade é um problema exclusivamente feminino, o que não é verdade. Aproximadamente 40% dos casos têm fatores masculinos envolvidos. Além disso, há o mito de que engravidar pode ocorrer em qualquer fase da vida; no entanto, sabemos que a fertilidade feminina diminui com o tempo. Por isso, discutir prevenção, planejamento reprodutivo e investigação precoce é essencial”, afirma.
Simone também salienta que o acesso à informação sobre fertilidade e o acompanhamento médico são vitais para evitar diagnósticos tardios.
“Um dos maiores desafios atuais é desfazer mitos ultrapassados relacionados à fertilidade e saúde reprodutiva. Existe uma percepção errônea de que somente as mulheres enfrentam dificuldades para engravidar; na realidade, os homens também desempenham um papel significativo na infertilidade. Além disso, muitas pessoas desconhecem como a idade impacta diretamente nas chances de concepção. Quanto mais cedo for iniciada uma investigação médica, maiores serão as possibilidades de tratamento”, explica ela.
A importância da avaliação médica
Os especialistas recomendam procurar avaliação médica caso haja dificuldades para engravidar após um ano de tentativas regulares ou após seis meses no caso de mulheres com mais de 35 anos. Mesmo para aqueles que ainda não planejam ter filhos, é aconselhável realizar check-ups periódicos relacionados à saúde reprodutiva para prevenir descobertas tardias que possam afetar a fertilidade futura.
Atualmente, os métodos de reprodução assistida avançaram consideravelmente e englobam desde indução da ovulação e inseminação artificial até fertilização in vitro (FIV), além de técnicas para preservação da fertilidade como congelamento de óvulos e espermatozoides.
Conforme Frantz menciona, os avanços na medicina reprodutiva têm trazido novas esperanças para pacientes que antes acreditavam ser impossível realizar o sonho da paternidade ou maternidade.
“Nos últimos anos, houve grande evolução na reprodução assistida em termos de tecnologia, segurança e taxas de sucesso. Trabalhamos com sonhos; por isso é fundamental que as pessoas compreendam que buscar ajuda especializada o quanto antes pode fazer toda a diferença”, reforça o médico.
Além dos aspectos físicos da infertilidade, os profissionais apontam para os impactos emocionais significativos que ela pode causar, incluindo ansiedade e estresse. Por este motivo, romper tabus e fomentar diálogos abertos sobre o assunto são alguns dos objetivos centrais do Junho Laranja.
“Conversar abertamente sobre fertilidade permite que as pessoas compreendam melhor seus próprios corpos e saibam quando devem procurar orientação especializada. O acesso à informação confiável torna o planejamento reprodutivo mais consciente e eficaz”, conclui Dra. Simone.
