
Muitas trabalhadoras relatam problemas até mesmo para receber o que lhes é de direito após o desligamento. Governo federal autorizou suspensão dos contratos. 4.200 cozinheiras escolares são demitidas
Mais de 4 mil merendeiras das escolas municipais e estaduais de São Paulo foram demitidas em meio à pandemia do coronavírus, informou o Sindicato dos Trabalhadores em Refeições Coletivas (SindiRefeições) nesta segunda-feira (3). Muitas trabalhadoras recorreram à entidade por enfrentar problemas até mesmo para receber o que lhes é de direito após o desligamento.
Segundo o sindicato da categoria, pelo menos 10 empresas prestam os serviços para a prefeitura e para o governo do estado, fazendo a gestão de aproximadamente 9 mil trabalhadores. Deste total, quase metade, 4.200 funcionários da merenda escolar da capital, foi demitido.
O governo federal autorizou a suspensão dos contratos por causa da pandemia, mas, em alguns casos, os 30% dos salários que as empresas deveriam pagar não chegaram às famílias e há indícios de irregularidades em algumas rescisões.
A merendeira de uma escola municipal que cuida sozinha dos quatro filhos pequenos e preferiu não se identificar, disse à reportagem que, assim que a pandemia começou, fez um acordo com a empresa para garantia de estabilidade no emprego. Contudo, no dia 16 de julho chegou o aviso de demissão.
“Nossa rescisão está errada. Não tivemos a estabilidade combinada, algumas receberam mais e outras menos, embora tenhamos todas o mesmo tempo de serviço, e fui dar entrada no meu seguro-desemprego, mas sequer constava meu registro na empresa”, relatou.
A reportagem tentou falar com a empresa Singular – Gestão de Serviços, mas não obteve retorno. De acordo com a prefeitura de São Paulo, a empresa rompeu o contrato por conta própria, a secretaria municipal de educação determinou a recontratação das funcionárias e disse que pode multar a empresa em R$ 10 milhões.
Mais de 4 mil merendeiras de escolas da rede pública de São Paulo foram demitidas durante a pandemia do coronavírus
Reprodução/TV Globo
Em outro caso, as funcionárias de uma empresa que presta serviço para as escolas estaduais foram dispensadas, e, na hora de ao menos sacar o FGTS, descobriram que a empresa nunca fez os depósitos, apesar de cinco anos de trabalho.
“Nós não estamos pedindo nada além do nosso direito. Não falto, não tem nada que desabone a minha conduta, aí a empresa, simplesmente, depois de cinco anos, bate nas minhas costas e diz ‘se vira'”, disse uma merendeira, que também preferiu não se identificar.
A reportagem também tentou contato com empresa Maxtécnica, sem sucesso. Em nota, a secretaria estadual da educação disse que realmente suspendeu o contrato com a empresa, mas informou que os pagamentos referentes aos dias trabalhados estão sendo feitos. A pasta disse ainda que a prestação do serviço vai ser retomada assim que as aulas voltarem.
Mais de 4 mil merendeiras são demitidas do ensino municipal e estadual de São Paulo em meio à pandemia do coronavírus
