Médico acusado de assédio em SP diz que é vítima e reclama de ‘julgamento’


Ao G1, o médico acusado de assédio durante consultas no Centro de Controle do Coronavírus em São Vicente, SP, diz que o caso provoca um problema ‘sem proporção’. Crime aconteceu durante consulta no Centro de Controle de Coronavírus em São Vicente, SP
Divulgação/Prefeitura de São Vicente
O médico denunciado por importunação sexual por pacientes com suspeita de Covid-19 em São Vicente, no litoral de São Paulo, conversou com o G1, nesta quinta-feira (13), a respeito das acusações. Segundo ele, que prefere não se identificar por temer retaliações, o caso é baseado em informações falsas e tem provocado um problema ‘sem proporção’ em sua vida.
O médico afirma que aguarda pela oportunidade em que poderá prestar esclarecimentos à investigação do caso. “Eu não vejo a hora de prestar depoimento para as autoridades, pois sou o maior interessado para que os fatos sejam apurados”, diz.
Ambas as vítimas, uma recepcionista e uma vendedora, alegam ter sofrido assédio sexual durante consultas com o médico no Centro de Controle do Coronavírus. Segundo as pacientes, o suspeito afirmou que elas estavam “estressadas” e que precisavam “dar uma relaxada”.
Segundo o médico, após ser acusado, ele e seu advogado também registraram um boletim de ocorrência de “injúria” e “denunciação caluniosa” na 1ª Delegacia de Polícia de São Vicente.
Duas vítimas denunciaram médico de São Vicente, SP
G1 Santos
“Estou sendo julgado pela opinião pública com base em uma informação falsa, e isso vem causando um problema sem proporções na minha vida profissional, social, mas sobre tudo na minha vida pessoal”, afirma o médico. Segundo a prefeitura de São Vicente, ele foi afastado de suas funções.
Ele afirma, ainda, que as consultas na unidade de saúde acontecem de portas abertas e com a cadeira do paciente a 1,5 metro da mesa do médico, sem contato físico e com duração de cinco minutos, após os pacientes passarem por triagem da enfermagem. O médico também foi intimado a depor na Delegacia de Defesa da Mulher do município.
O médico é defendido pelo advogado criminalista Marcelo Cruz, que afirma que a defesa pedirá a apuração da denúncia. “Todas as medidas judiciais serão tomadas contra todas as pessoas que atentarem contra minha pessoa”, finaliza o médico.
Entenda o caso
Em entrevista ao G1, a recepcionista Vivian Herculano Salvatore, de 29 anos, e a vendedora Jocimari Fonseca, de 27 anos, relataram ter sofrido o assédio durante consultas com o médico no Centro de Controle do Coronavírus, equipamento da Prefeitura de São Vicente exclusivo ao atendimento de pessoas com sintomas da Covid-19.
Após o atendimento, Vivian denunciou R.I.P.N. à administração da unidade de saúde, bem como à Polícia Civil, por meio da Delegacia de Defesa da Mulher, onde o caso é investigado como importunação sexual. Segundo a paciente, ela sentiu medo e não conseguiu reagir à ação do profissional. “Não quero que outras pessoas passem por situação igual ou pior à que eu passei”.
Jocimari também denunciou o caso à administração do hospital, mas relata não ter conseguido registrar a ocorrência por meio da Delegacia Eletrônica. Devido ao diagnóstico positivo para o novo coronavírus que recebeu ao voltar no Centro e fazer o exame, ela relata que está aguardando o fim da quarentena para comparecer pessoalmente na delegacia.
Caso foi registrado na Delegacia da Defesa da Mulher em São Vicente
Anna Gabriela Ribeiro / G1
Importunação sexual
A lei caracteriza como crime de importunação sexual a realização de ato libidinoso na presença de alguém e sem seu consentimento, como toques inapropriados ou beijos “roubados”, por exemplo. A importunação sexual difere do assédio sexual, que se baseia em uma relação de hierarquia e subordinação entre a vítima e o agressor. Quem pratica casos enquadrados como importunação sexual poderá pegar de 1 a 5 anos de prisão.

By Midia ABC

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