
Tribunal de Contas do Município suspendeu terceirização com base em processo que investiga possíveis irregularidades, dentre elas, a ausência de chamamento público. Polêmica na gestão do Hospital do Campo Limpo continua e chega ao setor de farmácia
Mesmo após a suspensão do contrato de terceirização do Hospital do Campo Limpo, a Organização Social Sociedade Beneficente Israelita do Hospital Albert Einstein avança na terceirização do hospital, o que tem provocado protestos de servidores.
Segundo os servidores municipais, na prática, nada foi suspenso ainda. De acordo com o Sindsep (Sindicato dos Servidores Municipais de São Paulos) e os conselheiros municipais, os funcionários do Einstein, mesmo com a perspectiva de retorno da administração para a Prefeitura, tentaram assumir o setor da farmácia.
A discussão entre servidores municipais e funcionários do Einstein, que começou por volta das 19h desta quarta, foi registrada em vídeo (veja acima). Uma servidora que prefere não se identificar disse que a equipe do Einstein solicitou a chave da farmácia “sem nenhuma explicação”.
De acordo com o sindicato, nesta quarta-feira houve uma reunião com a direção do hospital, que fez a proposta de administração compartilhada entre os funcionários da OS e os servidores do hospital. A proposta não foi aceita pelos servidores.
A terceirização está na mira do Tribunal de Contas do Município, que suspendeu a terceirização com base em um processo que investiga possíveis irregularidades como ausência de chamamento público, possível “emergência fabricada” para permitir a terceirização dos atendimentos e falta de documentos que comprovem vantagem da prefeitura no processo.
Em nota, a Organização Social Sociedade Beneficente Israelita do Hospital Albert Einstein afirma que permanecerá no local, e alega que tal decisão foi tomada em conjunto com a Prefeitura. No entanto, a gestão municipal havia informado anteriormente que havia acatado a decisão do TCM.
“De acordo com alinhamento feito com a SMS e a direção do Hospital do Campo Limpo, o Einstein manterá as atividades que haviam sido pactuadas para evitar a descontinuidade repentina do atendimento, assegurando a assistência à população até a resolução da questão”, disse nota da OS.
Servidores do Hospital do Campo Limpo, na Zona Sul de São paulo, protestam contra a terceirização da gestão do local nesta quarta-feira (19).
Abrahão Cruz/TV Globo
Histórico
Em julho, a prefeitura anunciou que passaria a administração do hospital à Entidade Beneficente Albert Einsten, que seria responsável pelo Pronto-Socorro, UTI Adulto e Pediátrica, Centro Cirúrgico, clínicas Ortopédica e Médica, gestão de atividades de apoio e leitos da internação e atendimentos ambulatoriais, a partir do dia 1º de agosto.
O acordo, no entanto, seria feito por meio de um aditivo no valor de R$ 114,4 milhões a um contrato já existente com a entidade relacionado à administração da Unidade de pronto Atendimento (UPA) anexa ao hospital, sem abertura de nova licitação.
A Prefeitura alterou a natureza do documento de “termo aditivo” para “termo de colaboração” e assinou mesmo assim o acordo com o Einstein, que chegou a iniciar a gestão do hospital.
Servidores do Hospital do Campo Limpo, na Zona Sul de São paulo, protestam contra a terceirização da gestão do local nesta quarta-feira (19).
Abrahão Cruz/TV Globo
Em nota, a Prefeitura de São Paulo afirmou que “respeita, vai acatar a deliberação e esclarecerá todos os questionamentos do Tribunal de Contas do Município (TCM), mas discorda da decisão”.
A gestão Bruno Covas (PSDB) afirma ainda que “procedimentos médicos serão diretamente prejudicados” e que “deixará 1.500 profissionais de saúde sem emprego.
O imbróglio na administração acontece em meio a outros problemas estruturais do hospital. Neste domingo (16), a chuva que atingiu São Paulo molhou equipamentos do Hospital do Campo Limpo. Dez pacientes foram remanejados de uma ala para outra do hospital.
Vídeos feitos dentro do hospital mostram o estacionamento das ambulâncias com uma enxurrada de água que atinge cadeiras de rodas e macas (veja acima). Outro vídeo mostra uma das enfermarias com poças d’água e goteiras no teto. Segundo um funcionário, alguns pacientes desse setor foram transferidos de quartos pois as goteiras molharam os leitos onde estavam.
Segundo a Prefeitura de São Paulo, por meio da Secretaria Municipal da Saúde, “o hospital passa por reformas, inclusive para a impermeabilização do telhado. O término dos trabalhos está previsto para ocorrer até dezembro.”
A chuva do fim de semana expôs a precariedade da estrutura do Hospital do Campo Limpo
Mesmo após contrato suspenso, Einstein avança em terceirização do Hospital Campo Limpo
