Morte após injeção de “coquetel” contra queda de cabelo em salão acende alerta sobre produtos milagrosos

Uma professora, de 50 anos, morreu após receber uma injeção de um “coquetel” que prometia fortalecer os fios e atuar contra a queda de cabelos. O caso acende um alerta sobre os riscos de procedimentos injetáveis, principalmente se tratados como “milagrosos” e oferecidos fora de um ambiente médico.

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Mulher morre após injeção contra queda de cabelo em salão de beleza e acende alerta para riscos

Foto: Maksim Goncharenok/Pexels

Entenda o que aconteceu 

Lidiane Gomes de Souza Alves foi ao salão de beleza no Setor P Norte, em Ceilândia, para fazer unhas e cabelo. No local, funcionários ofereceram uma injeção aplicada na região do glúteo, descrita como um “coquetel” capaz de fortalecer os fios e evitar a queda capilar.

Procedimentos desse tipo são aplicados rotineiramente em salões sem qualquer supervisão médica, sem anamnese prévia e sem testes de alergia. O caso aconteceu no sábado (5), no Distrito Federal, segundo o portal de notícias O Globo.

Segundo o marido de Lidiane, Valdeci Alves dos Santos, ela chegou em casa logo após a aplicação ofegante e transpirando muito. O quadro piorou rapidamente e ela foi levada a uma unidade de saúde.

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Valdeci retornou ao salão em busca do nome do medicamento para auxiliar os médicos. A responsável pela aplicação identificou o produto, afirmou ser biomédica e disse que outras pessoas já haviam recebido a mesma injeção. A mulher acompanhou Valdeci até a UPA, mas deixou o local após a confirmação da morte de Lidiane.

“Nós moramos muito perto do salão, então ela veio logo para casa. Quando chegou, ela estava bem ofegante e transpirando muito. Eu perguntei o que tinha acontecido e ela me disse que tinha tomado um coquetel para o cabelo, mas já estava com dificuldade para falar”, disse Valdeci.

Investigação, denúncia e alerta

Valdeci registrou o caso na 15ª Delegacia de Polícia (Ceilândia Centro). Na sexta-feira (11), ao retornar à delegacia em busca de informações, soube que a responsável pela aplicação havia se apresentado acompanhada de um advogado e permanecido em silêncio durante o depoimento. Uma cabeleireira e uma cliente do salão também prestaram declarações.

A Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) informou que o caso é investigado pela 23ª Delegacia de Polícia (Setor P Sul), sob as tipificações de homicídio culposo e exercício ilegal da medicina.

“Eu quero justiça. Foi um homicídio, mesmo que de forma culposa, mesmo que ela não tivesse intenção de matar, ela foi imprudente. Ela não perguntou se minha esposa sofria de alguma doença, não fez nenhum teste de alergia”, declarou Valdeci.

Para ele, a principal razão de levar o caso às autoridades é alertar outras pessoas sobre o risco. “Mesmo que ela não tivesse a intenção, nós somos responsáveis pelo que fazemos”, afirmou.

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Perigos de produtos “milagrosos”

Uma queixa comum tanto em homens quanto em mulheres, a queda de cabelo sempre deve ser investigada antes de seguir para um tratamento. O problema é que, muitas vezes, as pessoas recorrem a medicamentos divulgados pelas redes sociais, segundo o médico e presidente da Sociedade Brasileira de Tricologia (SBT) Luciano Barsanti.

“Essas informações, na grande maioria das vezes, não são verídicas ou não têm qualquer significado científico ou técnico”, disse Barsanti para o g1

A injeção que Lidiane tomou no salão de beleza seria de vitaminas. Entretanto, a mulher que fez a aplicação não tem registro profissional. Segundo Barsanti, esse tipo de tratamento só deve ser feito quando há exames laboratoriais confirmando que há deficiência de vitaminas e sais minerais.

A recomendação é sempre consultar um profissional especializado, com registro. Somente uma análise do caso isoladamente poderá chegar a um tratamento correto e que trará benefícios.

“Por que ela aceitou tomar isso?”, diz viúvo

Valdeci relatou que a esposa tinha boa saúde, mas sofria de bronquite asmática desde a infância e apresentava alergia a alguns medicamentos. Lidiane deixa uma filha de 26 anos, médica, que mora no Paraná.

“A pergunta que não sai da nossa cabeça é esta: por que ela aceitou tomar isso? Ela estava muito feliz pela profissão da nossa filha e, no fim, ofertaram esse medicamento que ceifou a vida da minha esposa”, lamentou o viúvo.

*As informações veiculadas nesta matéria são apenas para fins de educação. Em caso de sintomas, ou de dúvidas, um profissional de saúde deve ser consultado.

By Midia ABC

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