Novo diretor do Inpe diz que está pronto para fazer propaganda da instituição para o governo federal


Na primeira coletiva no posto, ele disse que vai ouvir a comunidade científica, que concorda com a reforma estrutural feita pelo governo, que não se opõe à criação de uma nova agência nacional que centralizaria os dados de monitoramento via satélite e que está no posto para fazer ciência. Clezio Marcos De Nardin, novo diretor do Inpe, durante a primeira coletiva no cargo
Robson Carvalho/ TV Vanguarda
O novo diretor do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), Clezio Marcos De Nardin, disse na primeira entrevista coletiva no cargo, na tarde desta sexta-feira (2), que está pronto para fazer a propaganda da instituição junto ao governo federal para explicar melhor o trabalho.
Ele foi oficializado no posto em publicação no Diário Oficial desta sexta-feira pelo ministro da Ciência, Tecnologia e Inovações, Marcos Pontes.
Na coletiva, ele disse que vai ouvir a comunidade científica, que concorda com a reforma estrutural feita pelo governo, que não se opõe à criação de uma nova agência nacional que centralizaria os dados de monitoramento via satélite e que está no posto para fazer ciência (veja trechos abaixo).
Clezio terá um mandato de quatro anos e chega ao posto sob clima de apreensão da comunidade científica. Entre os pontos de atenção estão as polêmicas com o governo federal por causa dos dados de queimadas e desmatamento na Amazônia.
Melhorar a relação com o governo federal
“Eu não me envolvo em atividade política porque eu não sou político. Agora, a imagem do Inpe precisa melhorar. Fica aqui o meu convite público ao presidente Bolsonaro, com todo meu respeito a ele, ao meu Ministro o astronauta Marcos Pontes venham visitar o Inpe. Estou aberto de braços abertos. Conclamo os dois a virem fazer uma visita conhecer o que estamos fazendo, abro tudo, todos os processos sem nenhum problema e tenho certeza que sensibilizados, verão a joia rara que nós temos no nosso país”, disse o novo diretor.
Ao ser questionado sobre críticas feitas pela Polícia Federal ao trabalho de monitoramento do Inpe, ele disse que é um sinal de que falta comunicação ao instituto.
“Críticas, quaisquer que sejam, são todas muito bem-vindas. Se alguém acha que o modelo que o Inpe está usando de monitoramento da Amazônia não está bom, isso é um sinal de que nós não estamos nos comunicando adequadamente. Por não nos comunicarmos adequadamente, mea-culpa, peço desculpas, convido todos os amigos e colegas da Polícia Federal venham ao Inpe, venham conhecer o nosso modelo me coloco à disposição para conversar para dialogar mostrando a qualidade os benefícios do que nós temos feito nos últimos 60 anos”.
Clezio Marcos De Nardin é nomeado como novo diretor do Inpe
Orçamento
Sobre a possibilidade de redistribuição da verba da Agência Espacial Brasileira (AEB) para outros setores de pesquisa, o que zeraria a verba de pesquisa do Inpe em 2021, ele disse que já iniciou conversas para resolver a situação.
“A AEB é uma agência irmã do Inpe, independente e tem as decisões dela e as responsabilidades associadas. Eu conversei com Moura [Carlos Augusto Teixeira de Moura, presidente da AEB] hoje de manhã, nós já estamos conversando para resolver essa situação, eu acho que nós estamos no caminho promissor. Nós já começamos a aproximação, conversei com outras colegas de universidades daqui do Brasil e da América Latina, nós estamos buscando também alternativas de suprimento de recursos e de fonte de recurso que não sejam exclusivamente direta da Agência Espacial Brasileira. Mas nós, reforço, o ponto importante é: nós respeitamos a autonomia da Agência Espacial Brasileira é natural que ela queira ter os seus objetivos estratégicos”, disse, e em seguida complementou.
“O que nós temos que fazer é o que precisa ser feito uma propaganda do Inpe, dizer ‘olha vamos trabalhar juntos se a gente trabalha junto nesse aspecto aqui aqui aqui aqui ‘a gente pode convergir pelo bem do país.” , disse.
Ainda sobre a propaganda do Inpe para diferentes áreas no governo federal, ele acredita que essa possa ser uma possibilidade para o próximo satélite a ser desenvolvido pelo instituto. Atualmente o Inpe trabalha para o lançamento do Amazônia-1 e não tem um próximo projeto de satélite do mesmo porte em vista.
“Hoje o Inpe tem um satélite para incluir na sequência da Amazônia. É preciso que o governo entenda a ideia, que talvez não tenha sido ainda adequadamente apresentada, e compre a ideia. Nós temos um satélite científico para observação das irregularidades equatoriais”, disse.
Imagem
O novo diretor negou problemas com o governo federal na imagem do Inpe.
“Eu não tenho desgaste nenhum com o governo federal. Acabei de ser nomeado pelo Ministro. O Inpe tem 60 anos, nós não temos desgaste nenhum com o governo federal. Nós passamos por vários governos, nós somos um órgão do governo federal, nós somos o governo federal. Então não existe desgaste com o governo federal. Nós estamos aqui para trabalhar para o cidadão neste governo e em todos os governos que estarão presentes no futuro”.
Questionado sobre a acusação sem provas feita pelo vice-presidente Hamilton Mourão de que haveria “alguém” que trabalha no Inpe e faz “oposição” ao governo e prioriza a divulgação de dados negativos sobre queimadas, ele respondeu que não faz política.
“O Inpe faz ciência, eu sou um cientista, não faço política. A César o que é de César e a Deus o que é de Deus. Políticos fazem políticas, eu faço pesquisa”, disse o novo diretor.
Outros temas
O novo diretor disse ainda que em 2016 já havia proposto uma reforma similar à feita recentemente pelo MCTI. “Eu não posso ser contra algo que eu realmente propus que foi modificado aqui ali e também não posso negar que eu fiquei muito contente com o resultado do processo”, explicou.
E sobre a criação de uma agência nacional que centralizaria os dados de monitoramento via satélite, proposta pelo vice-presidente Hamilton Mourão, ele disse que o Inpe não se opõe.
“Ele pode fazer, ele está no papel dele, ele pode fazer o que ele quiser. Se ele fizer uma agência para cuidar da Amazônia, muito que bem, o Inpe não tem problemas com isso e não sai enfraquecido porque o corpo técnico, quem formou grande parte das pessoas que trabalharia nessa eventual agência, será ou ex-alunos do Inpe ou ex-funcionários do Inpe”, disse Clezio.
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Clezio irá substituir Darcton Policarpo Damião, que ocupava o posto interinamente desde agosto de 2019. Ele exercia o mandato após Ricardo Galvão ser demitido por reagir a críticas do presidente Jair Bolsonaro, que acusou a equipe de pesquisadores do Inpe de mentir sobre dados do desmatamento da Amazônia.

By Midia ABC

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