
Registro feito durante uma das aventuras do TG entrou para a galeria de herpetólogo; espécie é considerada rara em seu habitat. Arborícolas, as jararacas-verdes têm hábitos noturnos
Renato Gaiga/Arquivo Pessoal
Encantar serpentes é uma prática milenar, comum na Índia, onde artistas de rua hipnotizam cobras tocando um instrumento musical, geralmente uma flauta. Mas observando a foto acima é possível dizer que é a serpente que nos encanta com suas cores e mistérios.
À primeira vista, você pode pensar que essa imagem foi feita em algum país distante. Mas não! A jararaca-verde é uma espécie do Brasil. Esse registro foi feito no Sul da Bahia pelo biólogo e herpetólogo Renato Gaiga, durante uma das aventuras dele junto com o Terra da Gente.
Para biólogos e pesquisadores, encontrar uma delas é motivo de comemoração: raras em seus locais de ocorrência, as subespécies Bothrops bilineatus bilineatus e Bothrops bilineatus smaragdinus chamam a atenção não só pela cor, mas também pelo tamanho e pelos hábitos.
Arborícolas e noturnas, as serpentes chegam a medir 70 centímetros de comprimento e apresentam cores e detalhes que variam entre verde-azulados e tons puxados para o marrom. O que todas possuem em comum, porém, são as grandes pesas inoculadoras de peçonha. “O veneno é utilizado para capturar presas como pequenos roedores, aves, anfíbios, lagartos e até outras serpentes. A dentição é categorizada como solenóglifa”, explica Gaiga, que destaca a estratégia de caça. “Caçam de espreita, ou seja, ficam paradas nas folhagens esperando uma presa passar. Além disso, tanto adultos quanto jovens apresentam a ponta da cauda branca para imitar uma larva e atrair a presa”, conta.
Peçonhenta, serpente inocula o veneno para predar pequenos roedores, aves e até outras cobras
Renato Gaiga/Arquivo Pessoal
Assim como outras serpentes peçonhentas, o acidente com humanos requer cuidados. Nesse caso, porém, são raras as ocorrências. “Os casos de acidente com pessoas são considerados leves quando comparados a outras jararacas terrestres. A peçonha causa hemorragia intensa pela gengiva e pelo local da picada. Como em qualquer outro tipo de acidente ofídico, o correto é lavar o local da picada com água e sabão imediatamente e se deslocar até o pronto-socorro mais próximo, o mais rápido possível”, destaca.
Vivíparas – quando o embrião é envolvido pela placenta e depende da mãe para se nutrir e se desenvolver, as jararacas-verdes parem entre seis e dezesseis filhote por vez
Ameaçadas pela destruição do habitat, as espécies costumam ser encontradas somente em matas preservadas. Mesmo assim, não estão nas listas brasileira e internacional de fauna ameaçada de extinção.
Encontrar um indivíduo da espécie é motivo de comemoração para os biólogos
Renato Gaiga/Arquivo Pessoal
Primas venenosas
Da família Viperidae, as jararacas-verdes se dividem em subespécies, Bothrops bilineatus bilineatus e Bothrops bilineatus smaragdinus. No entanto, estudos apontam a existência de quatro espécies distintas. “Nessa linha de pesquisa entende-se que as duas subespécies já conhecidas seriam elevadas à categoria de espécie, e mais duas outras seriam descritas”, explica Gaiga.
“Tem uma dissertação de mestrado que analisa material genético de vários indivíduos de locais diferentes para chegar a essa conclusão. Ainda ninguém descreveu as espécies, possivelmente novas, com um nome científico. Mas sabe-se, através dos estudos desenvolvidos durante o mestrado de Francisco Dal Vechio, que há 4 linhagens diferentes geneticamente e que são candidatas a novas espécies”, detalha.
Das serpentes reconhecidas cientificamente, a Bothrops bilineatus smaradinus ocorre apenas na Amazônia, nos estados do Acre, Amazonas e Rondônia, enquanto a Bothrops bilineatus bilineatus ocorre tanto na Amazônia, quanto na Mata Atlântica.
Bothrops bilineatus smaradinus é endêmica da Amazônia
Renato Gaiga/Arquivo Pessoal
O encanto da serpente: foto realça cores da jararaca-verde
