
Romilton Queiroz Hosi, que está preso desde 2019, foi peça-chave para PF deflagrar operação desta terça. Em 2003, ele chegou a fugir do fórum de Campo Grande (MS) depois que pagar R$ 1 milhão a policiais. PF cumpre 22 mandados de prisão e 60 de busca e apreensão em São Paulo
Vinicius Godoy/TV Globo
O traficante considerado peça-chave na operação contra o tráfico internacional de drogas deflagrada na manhã desta terça-feira (18) em 12 estados passou 10 anos foragido antes de ser preso em Jundiaí (SP), em março de 2019.
A Polícia Federal cumpre nesta terça 139 mandados de busca e apreensão e 50 mandados de prisão (20 prisões preventivas e 30 prisões temporárias). O estado de São Paulo concentra a maior parte deles, sendo 22 de prisão e 60 de busca e apreensão.
De acordo com a PF de SP, até as 10h, três pessoas tinham sido presas na capital paulista e outras três no interior. Também foram apreendidos cerca de R$ 77,6 mil em dois endereços no Brás, no Centro de São Paulo.
Ainda segundo a polícia, Romilton Queiroz Hosi, preso em Jundiaí em março do ano passado, usou cinco identidades diferentes no período em que se escondia da polícia. Em 2003, ele chegou a fugir do fórum de Campo Grande (MS) antes de uma audiência. Na época, a investigação apontou que ele teria pago R$ 1 milhão para os policiais que o escoltavam.
Hosi tem condenações por tráfico e associação ao tráfico. Segundo a polícia, uma dela é por ocultar R$ 1,5 milhão vindo do tráfico em 2001. A corporação informou que ele usava aviões para buscar cocaína na Bolívia.
A investigação
No estado de SP, o objetivo central da operação é a prisão do traficante Caio Bernasconi Braga, conhecido como Alemão.
Procurado desde 2019, o traficante se identifica como agente comercial e usa o nome falso Wilhiam Alexandre Cespedes Prieto, segundo apurado pela TV Globo. Ele estaria ligado à quadrilha chefiada por Sérgio de Arruda Quintiliano Neto, o Minotauro, preso no ano passado em Camburiú.
As investigações começaram há dois anos pela Polícia Federal de Pernambuco.
Operação Além Mar
Batizada de Além-Mar, a operação também ocorre nos estados de Alagoas, Bahia, Ceará, Goiás, Mato Grosso do Sul, Pará, Paraíba, Pernambuco, Paraná, Rio Grande do Norte, Santa Catarina e no Distrito Federal.
Os policiais investigam o crime de lavagem de dinheiro, além de buscarem provas para confirmar o envio de drogas para o exterior e o uso de helicópteros para o transporte de cocaína pelo Brasil.
Segundo a PF, toneladas de cocaína foram exportadas para a Europa pelos portos brasileiros, especialmente no Porto de Natal no Rio Grande do Norte. Entre março e julho, foram apreendidos mais de 1,5 tonelada de cocaína.
A Justiça Federal determinou a apreensão de aviões (7), helicópteros (5), caminhões (42) e imóveis (35) urbanos e rurais (fazendas) ligados aos investigados e ao esquema criminoso, além do bloqueio de R$100 milhões.
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