Perícia reconstitui morte de menina de 2 anos atingida por bala perdida


Reconstituição acontece nesta quinta-feira (10), a partir das 18h15, em Peruíbe. Criança de dois anos foi atingida por bala perdida durante perseguição em Peruíbe (SP)
Arquivo Pessoal
Uma perícia particular, solicitada pelo advogado da família de Hillary de Sousa Valadares, de 2 anos, vítima de uma bala perdida, fará uma reconstituição da morte da menina no fim da tarde desta quinta-feira (10). O objetivo é identificar de que onde saiu o tiro que matou a criança. Hillary foi atingida durante uma perseguição envolvendo um policial militar e criminosos em Peruíbe, no litoral de São Paulo.
A vítima estava em um carro, com o pai e a mãe, no momento em que foi atingida na cabeça por uma bala perdida. O projétil entrou pelo para-brisa do veículo, durante uma troca de tiros entre um policial e pelo menos dois criminosos. De acordo com a Polícia Civil, um jovem de 19 anos, apontado como um dos suspeitos de participar de um roubo, também acabou baleado durante a perseguição e morreu.
Após ser atingida, a menina chegou a ser internada, mas não resistiu aos ferimentos. A Polícia Civil não conseguiu determinar a origem do disparo que vitimou a menina e nem a identidade de outros criminosos envolvidos na ação.
Segundo o advogado Ricardo Ponzetto, a reconstituição acontecerá a partir das 18h15, no endereço onde ocorreu o homicídio de Hillary, no bairro Caraguava. A perícia decidiu realizar a ação no início da noite para usar a mesma iluminação dos fatos ocorridos. As ruas serão interditadas e será usado um laser para determinar a trajetória do tiro que perfurou o para-brisa do carro e matou a menina.
“Vamos usar o carro da vítima. Até hoje o banco do passageiro, que foi atingido pelo projétil, não foi periciado. Quando a bala entra em algum objeto, como o banco, ela deixa alguns fragmentos. Se a perícia tivesse examinado o banco, poderia ter constatado de onde saiu o tiro”.
Segundo o advogado, o objetivo da reconstituição é buscar o esclarecimento dos fatos. “Queremos saber o que aconteceu naquela noite e de onde partiu o projétil que vitimou a Hillary. Tudo o que nós queremos é encontrar algum conforto na verdade para a família”.
Hillary Valadares, de dois anos, foi atingida na cabeça
Arquivo Pessoal
Arquivamento do caso
Com base no inquérito da Polícia Civil, o promotor Daniel Gustavo Costa Martori solicitou à Justiça de Peruíbe, no fim do mês passado, o arquivamento do caso, pois não houve a identificação do suspeito que conseguiu fugir. Segundo Martori, o único criminoso identificado na ação morreu, o que impossibilita a ação penal.
O promotor apontou, também, que caso o disparo que atingiu Hillary tivesse sido feito a partir da arma do policial militar, ele teria agido em legítima defesa após os criminosos atirarem contra ele. O pedido chegou a ser aceito pelo Tribunal de Justiça de São Paulo, mas a decisão foi alvo de protesto da defesa da família de Hillary.
Após a decisão, o advogado da família realizou diversas manifestações no processo, mostrando que a perícia realizada foi desatenta em relação a algumas informações importantes.
“A ausência da reconstituição também caracteriza um desleixo, pois pode apurar a trajetória do tiro e verificar de qual carro saiu o disparo. Como isso não foi feito, contratamos uma perícia particular e informamos ao juiz. Imediatamente, o Ministério Público voltou atrás e pediu o desarquivamento do inquérito”.
Nesta terça-feira (8), a juíza Danielle Grandinetti determinou o desarquivamento do caso e solicitou uma perícia para o Instituto de Criminalística. Segundo a decisão, obtida pelo G1 na manhã desta quinta-feira, a magistrada considerou a aprovação do promotor quanto à produção de novas provas relacionadas ao homicídio da vítima.

By Midia ABC

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