
Conforme apurado pelo G1, testemunhas os denunciaram à Polícia Civil. Família pede por justiça após desaparecimento de vendedor em Guarujá, no litoral paulista. Vendedor foi sequestrado em janeiro, enquanto assistia a partida de futebol em Guarujá, SP
Arquivo Pessoal
Dois policiais militares de Guarujá, no litoral paulista, são investigados pelo desaparecimento de um vendedor da cidade, segundo informações confirmadas pela Polícia Civil neste sábado (8). Conforme apurado pelo G1, a suspeita é de que Cristian Domingos de Almeida, de 33 anos, tenha sido morto, já que não foi mais visto desde janeiro, quando câmeras de monitoramento flagraram ele sendo sequestrado. A motivação do crime ainda é investigada.
Cristian está desaparecido desde a madrugada do dia 23 de janeiro deste ano. Na época, às autoridades, os familiares relataram que a vítima estava em um jogo de futebol com amigos e o irmão em um bar próximo de casa, pouco antes de ser levada por dois homens em um carro. O vendedor estava na Rua Maria da Conceição das Neves, no bairro Morrinhos.
Ainda em janeiro, o caso foi denunciado às autoridades na Delegacia Sede de Guarujá, onde foi registrado como sequestro e começou a ser investigado. Uma testemunha, que prefere não se identificar, denunciou ao G1 que os policiais militares estariam envolvidos no desaparecimento. De acordo com o relato, um deles teria assumido a essa pessoa o que fez.
A Reportagem também teve acesso ao inquérito do caso, no qual é apontado que uma outra testemunha presenciou o momento do sequestro e reconheceu os policiais após o ocorrido. O advogado Rodrigo Sorrentino, que representa a família da vítima, explica que fez a análise detalhada do documento. De acordo com ele, há provas robustas que apontam que os PMs estão envolvidos no desaparecimento de Cristian.
“A família, por conta própria, buscou as câmeras que identificaram a placa do carro que levou Cristian. Por meio da placa, a polícia identificou que o veículo era de propriedade de um dos PMs investigados. Um mês após Cristian desaparecer, esse PM deu queixa de furto do carro, porém, o inquérito mostra que quebrou-se o sigilo telefônico dele, e pela antena do celular, confirmou-se que ele estava no local, no dia e hora do crime”, explica o advogado.
Segundo Sorrentino, foram apreendidos materiais na casa do outro PM envolvido, que aumentam as suspeitas. “Há provas contundentes da participação deles no crime. Além disso, tudo leva a acreditar em homicídio, porque a testemunha afirma que viu dois disparos no local. O que questiono é por que ainda não foi pedida a [prisão] preventiva, qualquer outra pessoa que apareça em uma câmera roubando um prédio, por exemplo, já estaria presa. Pessoas que precisam zelar pela segurança pública do cidadão não podem praticar crimes bárbaros como esse”, diz.
O irmão de Cristian, David de Almeida Santana, de 33 anos, afirma que, atualmente, a vítima já teria completado 34 anos. “Eu tenho um pai doente, diabético, com depressão profunda e crise de Alzheimer, uma mãe hipertensa, e hoje com depressão, que a todo momento estava na espera do meu irmão voltar para casa. Estou vendo meus pais morrendo a cada dia, a esperança deles está se acabando e eu não sei se eles estarão vivos para ver a justiça feita”, relata.
Em nota, a Polícia Civil, por intermédio da Secretaria de Segurança Pública de São Paulo (SSP-SP), afirma que o caso é investigado pela Delegacia Sede de Guarujá, por meio de inquérito policial. As diligências estão em andamento e detalhes não podem ser passados, pois o trabalho investigativo exige sigilo nas apurações. A Reportagem também procurou a Polícia Militar, mas não obteve nenhuma resposta até a última atualização desta matéria. Foi questionado, inclusive, se os PMs seguem em serviço.
“Mais do que um irmão, perdi um amigo de longa vida. Peço com muita dor em meu coração que a justiça se cumpra e que os culpados sejam punidos perante a lei. Acreditamos na Justiça”, destaca David.
O G1 não localizou a defesa dos policiais militares até a última atualização desta reportagem.
Caso é investigado pela Delegacia Sede de Guarujá
Lizie Rodrigues/G1
PMs são suspeitos de matarem rapaz que sumiu após jogo de futebol em SP
