
Com os cortes, aulas de projetos culturais foram interrompidas e são mantidas interações “informais” por mídias sociais, diz SemacTur. Diretor artístico relata falta de auxílio público . Teatro Municipal Dr. Losso Netto, em Piracicaba: paralisação de apresentações na pandemia
Reprodução/EPTV
A Prefeitura de Piracicaba (SP) suspendeu quatro contratos na área de cultura e rescindiu um na área de turismo durante a pandemia do novo coronavírus. Com os cortes, aulas de projetos culturais foram interrompidas.
As informações foram divulgas em resposta a um requerimento da vereadora Nancy Thame (PV).
De acordo com o governo municipal, as medidas foram tomadas levando-se em consideração a necessidade de distanciamento social imposta pela pandemia, o que impossibilita a abertura ao público de espaços culturais e turísticos a médio e longo prazo.
A administração municipal aponta uma economia de R$ 40,3 mil mensais e informou que não tem informações sobre demissões em decorrência destas medidas. Mas informou que não há previsão de novas suspensões ou rescisões.
Contratos suspensos:
Companhia Estável de Dança de Piracicaba – Cedan
Companhia Estável de Teatro de Piracicaba – Ceta
Oficinas da Movimentação Cultural
Serviços de Locação de equipamentos de sonorização para o Teatro Dr. Losso Netto
Contrato rescindido:
Serviços de monitoria turística
Já em relação a possíveis novas contratações, a única previsão é em relação a uma nova licitação para serviços de monitoria turística, “quando tudo se normalizar e o município retomar suas atividades com relação ao turismo”.
Apresentação da Ceta, em 2018: atividades suspensas durante a pandemia
Tiago Rochetto
Questionada no requerimento sobre reflexos das medidas, a Secretaria Municipal de Cultura e Turismo (SemacTur) afirmou que os alunos de projetos municipais não serão afetados, uma vez que “foram convidados a interagir informalmente com os professores e demais participantes das oficinas através das mídias sociais”.
No entanto, a própria prefeitura admite que as atividades não configuram como aula, por não haver suporte técnico para este fim.
Sem renda
Diretor artístico da Ceta, Jhoão Scarpa revela que, no caso da companhia, a suspensão passou a valer em 1º de julho e vai vigorar por pelo menos 90 dias. Assim, as atividades oficiais do grupo estão paradas.
Atualmente, Scarpa realiza apenas atividades desvinculadas às da Ceta, mas sem gerar renda com elas.
“Continuo me reunindo com integrantes de maneira informal para que não percamos o ritmo de trabalho. Isso faz com que, inclusive, encaremos a rotina da pandemia de maneira menos densa, pois, estamos exercitando a criatividade. Estamos trabalhando na criação de roteiros para audiovisual no momento”, conta.
O diretor artístico revela que, até o momento, não teve acesso a um auxílio de renda pública para suprir as receitas que tinha junto à Ceta.
Suas outras rendas eram advindas das apresentações de um espetáculo infantil. Geralmente, elas acontecem de março a novembro, nas escolas.
“Este ano não fizemos uma apresentação sequer. Estou no aguardo do andamento da Lei Aldir Blanc para solicitar meu auxílio ou me inscrever em algum edital que me possibilite recurso financeiro”, acrescentou.
Sancionada no final de junho, a Lei Aldir Blanc prevê o pagamento de auxílio de R$ 600 mensais para artistas e organizações culturais que perderam a renda durante a pandemia, em um pacote de R$ 3 bilhões para a área, que serão transferidos da União para estados, Distrito Federal e municípios.
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