
Foram 4.310 confirmações em setembro, contra 6.718 em junho, mês de ínicio do aumento exponencial. Mortes também têm menor índice. Especialistas apontam declínio da doença. Cientistas da USP e Fiocruz pesquisam anticorpos para vacina contra Covid-19 em Ribeirão Preto (SP)
Reprodução/EPTV
Dados da Secretaria Municipal de Saúde apontam que o mês de setembro registrou o menor número de casos positivos de Covid-19 desde que o contágio aumentou exponencialmente em Ribeirão Preto (SP).
Embora o balanço ainda possa ser atualizado em razão de exames ainda em análise, até sexta-feira (2), o mês passado registrou 4.310 confirmações da doença, contra 6.718 em junho, redução de 35,8%, quando houve a primeira elevação.
O número de mortes conforme o diagnóstico da doença também é o menor. Em setembro, foram 63 óbitos, contra 206 em junho.
Se comparado a julho, o pior mês da estatística da doença, com 8.632 positivos e 240 mortes, a queda em setembro é ainda maior – 50% nos novos casos e 73,7% nos óbitos.
Na sexta-feira, a cidade chegou a 27.713 pacientes infectados e 752 óbitos. A letalidade caiu de 2,6 em agosto para 1,5 em setembro, o que significa que para cada 100 infectados, 1,5 morreram.
No geral, desde o início da epidemia em Ribeirão Preto, a letalidade está em 2,7%. A mortalidade é de 105 mortes para cada 100 mil habitantes.
Queda significativa
Com base nos dados, especialistas apontam que os números representam queda na evolução da doença na cidade.
“Esses números devem ser vistos de uma maneira positiva e eles sinalizam que a epidemia está em franco declínio na nossa cidade. Se nós compararmos esses números com aqueles que nós tivemos em meados de julho, eles são praticamente a metade, tanto em número de casos novos, como o de novas internações, como o de novos óbitos”, afirma o infectologista e pesquisador do Hospital das Clínicas (HC), da faculdade de medicina da USP, Fernando Bellissimo.
Para o médico, neste momento, o comportamento da doença na cidade já permite até mesmo a retomada das aulas presenciais nas escolas.
“Eu entendo que nesse momento seja não só seguro como necessário e urgente a reabertura das escolas. As crianças se infectam menos, adoecem menos e transmitem menos a doença e elas estão pagando um preço desproporcional ao risco que elas oferecem à sociedade. Eu acho que é urgente a retomada das atividades escolares e isso é muito seguro nesse momento.”
Contágio
O pesquisador da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), Rodrigo Stabile, que apóia o centro de diagnóstico montado no Supera Parque, afirma que a transmissão ainda ocorre em platô, quando o número de casos de infectados por dia é constante, mas que a queda já é significante, assim como as internações em leitos de UTI e enfermaria.
No dia 3 de agosto, a cidade registrou 191 pacientes internados em UTIs, o maior número desde março. No dia 30 de setembro, eram 126 hospitalizados.
Stabile afirma, no entanto, que a transmissão ainda é alta em Ribeirão Preto. A cada 400 exames realizados em amostras de pacientes com quadro de síndrome gripal, 46% são positivos para o novo coronavírus, o equivalente a 184 testes.
“É importante que a gente continue fazendo o distanciamento físico, usando a máscara, fazendo apenas aquilo que é essencial. É importante que a gente continue nessa mobilização para que possamos chegar no Natal e no ano novo com índices muito baixos da doença em Ribeirão Preto e na região também.”
Não é o fim dos cuidados
De acordo com Bellissimo, a população precisa estar consciente de que o coronavírus não vai ser extinto, e que os cuidados ainda devem ser mantidos por um longo período.
“É preciso entender que quando acabar a pandemia, a Covid-19 não vai se extinguir do ambiente. Ela vai provavelmente se tornar uma doença endêmica com casos esporádicos por muito tempo. Acredita-se que o novo normal seja tudo funcionando como antes, mas a questão do uso de máscara, do distanciamento e da higiene pessoal vai ter que persistir por muitos anos.”
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Ribeirão Preto, SP, registra menor número de novos casos de Covid-19 em quatro meses
