
Tribunal de Contas do Estado reprovou contas de 2018 da Câmara de Lavrinhas. Relatório do Ministério Público aponta que vereador gastou R$ 220 em casa noturna em Brasília. Vereador nega irregularidades em despesa. Tribunal de Contas do Estado reprovou contas de 2018 da Câmara de Lavrinhas
Reprodução/Google Street View
O Tribunal de Contas do Estado de São Paulo reprovou os gastos de 2018 da Câmara de Lavrinhas (SP) após um vereador ter usado verba pública em uma boate durante viagem a Brasília. O vereador Mário Fábio nega irregularidades na despesa (leia mais abaixo).
De acordo com o TCE-SP, as contas da Câmara foram consideradas irregulares porque os vereadores teriam apresentados gastos sem relação com o interesse público.
O relatório mostra gasto de R$ 872 em uma churrascaria e R$ 220 em uma boate em Brasília, que seria local de prostituição. Segundo o relatório, “o local não pode ser considerado minimamente adequado para se promover despesas a custo do erário”.
O pente-fino foi feito pelo Ministério Público de Contas (MPC). O órgão observou gastos feitos por vereadores em viagens e apresentados em formas de nota para reembolso à Câmara de forma genérica, sem justificar o investimento com atividades legislativas, além de gastos considerados excessivos.
De acordo com a lei, todas as contas devem ser submetidas para aprovação. Em 2018, o legislativo de Lavrinhas gastou R$ 770 mil.
Nota apresentada por vereador em Lavrinhas
Reprodução/MPC
Irregularidades
Entre as irregularidades encontradas pelo MPC estão uma nota para reembolso de um almoço para cinco pessoas no dia 11 de março em uma churrascaria com gasto de R$ 872. Ou seja, o custo médio da refeição por pessoa foi de R$ 174,40.
O órgão ainda apontou que em dois dias, entre 12 e 13 de março, a Câmara gastou R$ 477 em corridas de táxi.
O vereador Mário Fábio dos Santos Fonseca ainda apresentou uma nota para reembolso de uma refeição no valor de R$ 220 em uma boate chamada Alpha Pub, em Brasília. No relatório, o MPC aponta que o local tem má reputação e seria ponto de prostituição.
A nota apresentada por Mário, a que o G1 teve acesso, tem apenas a especificação “despesa para refeição” e a data em que foi feita, 13 de março.
Com base nos apontamentos, o órgão encaminhou a análise ao Tribunal de Contas que no início de setembro julgou irregular as contas.
A decisão responsabiliza os agentes políticos envolvidos, como o presidente da Câmara à época, responsável por monitorar os gastos e as aprovações. Ele pode responder pelas irregularidades apontadas e sofrer sanções, como ficarem inelegíveis.
O que dizem as partes
A reportagem do G1 procurou o vereador Mário Fábio dos Santos Fonseca. Em nota, ele disse que não houve qualquer ilegalidade na despesa realizada. Disse ainda que o gasto foi feito em sua primeira viagem a Brasília e que pediu recomendações de moradores sobre lugares para fazer as refeições e que o espaço foi recomendado por estar nas imediações do hotel em que esteve hospedado.
Sobre o gasto, disse ainda que o valor apresentado na nota é do consumo dele e de outro vereador, mas não divulgou quem seria o parlamentar.
Sobre o local ter relação com prostituição, reforçou que o registro do CNPJ do espaço consta como lanchonete, casa de chás e que quando esteve no local “não verificou qualquer atividade que fosse contra a moralidade administrativa ou imprópria”.
O presidente da Câmara à época, o vereador Marcos Vinícius Franqueira Garcia, informou que o caso ainda está em fase de recurso. Disse ainda que, à época dos pagamentos, todas as notas era analisadas pela Câmara, que não apontou irregularidades.
Apesar disso, informou que fez o ressarcimento dos valores apontados pelo Tribunal de Contas com correção de juros à Câmara. Marcos Vinicius concorre hoje ao cargo de vice-prefeito pelo PSD.
A Câmara de Lavrinhas informou que há 13 anos ininterruptos tem suas contas anuais aprovadas pelo órgão e que aguarda a fase de recurso do caso.
O G1 tenta contato com a Alpha Pub, mas nenhum representante da boate foi localizado até a publicação da reportagem.
Vereador de Lavrinhas gastou verba pública em casa noturna, aponta Tribunal de Contas
