Magistrada foi quem tomou a decisão de barrar o decreto de flexibilização para a fase amarela. Em entrevista, Felício alega que juíza mudou de opinião e surpreendeu a prefeitura. Associação contesta fala do prefeito alegando que juíza agiu dentro do curso do processo. Justiça determina que São José retorne para a fase laranja do Plano São Paulo
A Associação Paulista de Magistrados (Apamagis) divulgou uma nota em defesa da juíza de São José dos Campos após falas pelo prefeito de São José dos Campos, Felício Ramuth (PSDB) sobre a decisão que bloqueou o decreto municipal de avanço para a fase amarela. Em sua fala, o gestor acusou a juíza de ter mudado de ideia no processo e surpreendido a prefeitura. Em nota, a associação diz que a juíza agiu regularmente, seguindo o curso do processo.
A juíza Laís Carvalho Scamilla Jardim, da 2ª Vara da Fazenda Pública, foi quem publicou a decisão que derrubou o decreto municipal que declarava a fase amarela em São José dos Campos, contrária a recomendação do governo estadual. A juíza fez cumprir um pedido do Ministério Público que pedia que a gestão cumprisse as determinações do governo estadual.
O G1 teve acesso ao processo. De acordo com as movimentações, no dia 24 de julho, após o anúncio de avanço para a fase amarela, o Ministério Público acionou a justiça pedindo que a prefeitura e o estado desse esclarecimentos sobre o erro de dados alegado pela gestão para o avanço.
No mesmo dia, a juíza deu prazo de 72 horas para a prefeitura e a secretaria estadual fornecessem as informações. Apesar da fala de Felício Ramuth em entrevista à TV Vanguarda em que criticou a postura da juíza alegando não ter levado em conta os dados, as informações não foram apresentadas à justiça até a sexta-feira (31), quando decidiu por barrar o decreto.
No dia 31, o MP se manifestou pedindo que, diante disso, a justiça acatasse seu pedido de barrar o decreto, o que foi feito.
Após a decisão, em entrevista à TV Vanguarda, Felício havia afirmado que a juíza havia mudado de opinião sobre o decreto. “Ela resolveu mudar radicalmente de ideia e ignorar os dados, as análises científicas, e simplesmente decretar o fim da fase amarela e a volta para a fase laranja”.
Em nota a associação afirma que, diferente da informação de surpresa da gestão, havia um processo e ritos judiciais a serem seguidos, de conhecimento da gestão. “a magistrada agiu regularmente, proferindo decisão dentro de processo judicial instaurado por iniciativa do Ministério Público do Estado de São Paulo, acolhendo o pedido por ele formulado (no mesmo dia)”. (Leia baixo a íntegra da nota)
Sobre a manifestação da associação, a reportagem do G1 acionou a prefeitura de São José dos Campos, que não quis comentar. O Tribuanl de Justiça de São Paulo informou que a juíza Laís Helena de Carvalho Scamilla Jardim vai se manifestar apenas no processo.
Leia a nota da Associação Paulista de Magistrados na íntegra:
A respeito das ilações feitas contra a juíza Laís Carvalho Scamilla Jardim, da 2ª Vara da Fazenda Pública de São José dos Campos, pelo prefeito Felício Ramuth, na última sexta-feira (31/7), a Associação Paulista de Magistrados (Apamagis) vem esclarecer que, ao contrário do afirmado, a magistrada agiu regularmente, proferindo decisão dentro de processo judicial instaurado por iniciativa do Ministério Público do Estado de São Paulo, acolhendo o pedido por ele formulado (no mesmo dia).
Ao determinar a suspensão dos efeitos do decreto municipal, que classificou o município na fase amarela, a juíza apenas estabeleceu a aplicação do Plano São Paulo, elaborado pelo Governo do Estado, fundamentada em estudos da Secretaria da Saúde e do Ministério da Saúde, e que manteve a Região do Vale do Paraíba na fase laranja, com o consequente fechamento do comércio.
Os trâmites devem ser esclarecidos para que não haja dúvidas por parte dos cidadãos.
Não bastasse, o tribunal da internet não é o local adequado para a insurgência quanto a decisões judiciais, que devem, havendo a lei a embasar as alegações, serem levadas ao Tribunal de Justiça de São Paulo por intermédio do adequado recurso.
Associação de magistrados de manifesta em defesa de juíza de São José após críticas de Felício Ramuth
