‘Aranha do Vergueiro’: conheça a história da obra inacabada que virou o improvável cartão postal de Sorocaba


Construção do projeto de 1959 seria o Santuário São Lucas, o padroeiro dos médicos. Atualmente, a estrutura é usada para empresa de estacionamento e fonte de memes. Aranha do Vergueiro fica no Centro de Sorocaba
Carlos Dias/G1
Sorocaba (SP) completa neste sábado (15) 366 anos com características únicas e que parecem ter saído de uma dimensão paralela. Uma delas é a estrutura de concreto e vergalhões que formam a “Aranha do Vergueiro”, que tinha inicialmente a ideia de ser um santuário.
Longe da imagem de uma igreja desde o projeto de 1959, o empreendimento era para um dia ter sido o Santuário de São Lucas, o padroeiro dos médicos. Entretanto, o sonho recheado de vitrais e assentos para centenas de fiéis não deve sair por completo do papel.
“Em outra gestão em que fui o diretor administrativo, conseguimos com o engenheiro Archilla, que é especializado em fundações, o laudo que não é possível usar o esqueleto para outros fins, se não houver uma manutenção, cujo custo seria muito elevado. Então, novamente abandonamos esta possibilidade”, lembra o professor Luiz Ferraz de Sampaio Neto, diretor da Faculdade de Ciências Médicas e da Saúde da PUC.
Atualmente, o terreno onde ela se localiza é de propriedade da Fundação São Paulo, a mantenedora da PUC-SP, e está cedido para uma empresa terceirizada de estacionamento. Não é possível ter acesso à área central da estrutura, por conta do risco de queda de objetos. O impedimento é feito com uma cerca e portão lacrado.
Aranha do Vergueira fica ao lado de hospital em Sorocaba
Carlos Dias/G1
Começo, ‘meio’ e…
Segundo os registros da faculdade, em 18 de outubro de 1959 houve campal celebrada pelo núncio apostólico no Brasil, Dom Armando Lombardi, e foi colocada a pedra fundamental.
“Ela foi colocada onde ficaria o altar da igreja, a comemoração também se prestava a celebrar os 10 anos de fundação da Faculdade de Medicina de Sorocaba”, explica o professor.
Também para a missa no local do empreendimento estavam o ministro da educação, representante do presidente, o bispo de Sorocaba, o diretor da faculdade e o prefeito de Sorocaba.
Conforme o diretor, as obras tiveram início em 1960. Na ocasião, o objetivo era finalizar o trabalho no prazo de cinco anos.
“A interrupção de recursos que a partir de Lei Federal fez parar a obra ainda no final da década de 1960”, destaca.
Com base no registro, uma construtora de Curitiba foi a responsável por projetar a igreja e a idealização foi pelo monsenhor Antônio Misiara, que também era professor de filosofia da Faculdade de medicina.
O altar seria ao meio do santuário, que teria uma plataforma de mármore, uma torre de 86 metros e capacidade para 1.100 fiéis sentados e mil em pé. Embaixo, segundo o diretor, também teriam refeitório e cozinha.
Na decoração, o projeto pretendia instalar mosaicos com o Criador retirando a costela de Adão.
Santuário ou estacionamento sem cobertura, a estrutura é uma das marcas conhecidas de Sorocaba e considerada por alguns moradores até como um ponto turístico.
Maquete do que seria o Santuário São Lucas
Reprodução/Revista da Faculdade de Ciências Médicas de Sorocaba

By Midia ABC

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