
Segundo a Secretaria da Justiça e Cidadania, 83% das pessoas que recorrem ao Centro de Referência e Apoio à Vítima, são mulheres. Secretaria da Justiça, no Páteo do Collegio, onde tramitam os processos administrativos por discriminação contra LGBTs
Cíntia Acayaba/G1
O Centro de Referência e Apoio à Vítima (Cravi), do governo de São Paulo, registrou aumento de 46% no atendimento a vítimas de crimes violentos nos sete primeiros meses de 2020 no estado. Entre janeiro e julho foram realizados acolhimentos 2.343 pessoas. No mesmo período de 2019, foram 1.586.
A entidade oferece atendimento psicossocial e jurídico de forma gratuita às vítimas de crimes violentos e para familiares de vítimas fatais, além de fazer a capacitação de psicólogos e assistentes sociais.
Durante a pandemia, segundo a Secretaria da Justiça e Cidadania, 88% dos atendimentos que antes eram presenciais passaram a ser online. 12% das vítimas ou familiares acabaram declinando do atendimento e agora recebem um acompanhamento social.
O Cravi tem unidades na Barra Funda, Suzano, Araçatuba, Santos, São Vicente e Barueri. De acordo com os dados divulgados, apenas o Cravi Sede, localizado no Fórum Criminal da Barra Funda, na Zona Oeste de São Paulo, acolheu 1.165 vítimas. Em julho, foram 281, o que caracteriza um acréscimo de 134% comparado com a média mensal dos outros meses. A unidade de Suzano também teve um salto nos acolhimentos, que chegou a 424, representando um crescimento de 400%.
A Secretaria da Justiça e Cidadania informou ao G1 que os crimes sofridos pelas vítimas e familiares que recorrem ao Cravi são em sua maioria de homicídio, sendo 53% dos casos, seguido por feminicídio (22%) e violência doméstica (11%).
Para o secretário da Justiça e Cidadania, Paulo Dimas Mascaretti, um dos possíveis motivos para o aumento significativo no atendimento do Cravi neste ano se dá pelo crescimento da violência doméstica durante a pandemia. Um levantamento recente feito pelo G1 e pela GloboNews apontou que, no primeiro semestre deste ano, os casos de feminicídio em São Paulo atingiram a maior marca desde 2016, com 87 óbitos de mulheres.
Casos de feminicídio nos primeiros semestres de 2016 a 2020
Arte/G1
Ainda de acordo com o levantamento, destes 87 boletins de ocorrência disponíveis no portal de Transparência da Secretaria da Segurança Pública, entre janeiro e junho, 69% dos feminicídios aconteceram dentro de casa.
“As vezes, mesmo sem a ocorrência registrada, no caso, por exemplo, da violência doméstica, as mulheres procuram atendimento [do Cravi] até para receber algum acolhimento e fugir da situação de agressão”, afirmou Paulo Dimas.
O secretário explica que após solicitar o atendimento do Cravi a vítima ou familiar recebe um tratamento psicológico se necessário. Em alguns casos eles são encaminhados à polícia para abertura de boletim de ocorrência. As mulheres podem ser direcionadas para a Casa da Mulher Brasileira ou para o Ministério Público para viabilizar medidas protetivas, entre outras ações de acordo com cada episódio.
Segundo os dados da secretaria, o perfil das pessoas que recorrem ao Cravi é em, sua maioria, composto por mulheres (83%). E, ao todo, 39% dos que procuram por atendimento psicológico, individual ou de grupo, moram nas zonas sul e leste de São Paulo. No caso de familiares de vítimas fatais, a idade predominante é entre 40 a 49 anos.
Para solicitar atendimento do Cravi é necessário ligar para o número (11)3291-2624, deixar seu nome e número para contato, ou enviar um e-mail para [email protected] .
As unidades Suzano, Araçatuba, São Vicente e Santos já estão realizando atendimento presencial. As unidades Sede e Barueri, por se encontrarem em Fóruns, estão realizando atendimentos online.
* Com supervisão de Cíntia Acayaba
Centro de apoio do governo de SP registra aumento de 46% no atendimento a vítimas de crimes nos 7 primeiros meses de 2020
