
Associação orientou supermercados a negociar com fornecedores, mas alertou que impacto no orçamento pode variar de acordo com a procura dos consumidores. O diretor da Associação Paulista de Supermercados (Apas) na região de Ribeirão Preto (SP), Rodrigo Canesin, descartou nesta quinta-feira (10) o risco de desabastecimento de arroz nos estabelecimentos em função da elevação recorde nos preços.
Segundo ele, a orientação da entidade é no sentido de que supermercados negociem ao máximo com fornecedores e controlem os estoques, para reduzir o volume das novas remessas com valores mais altos e, assim, amenizar os impactos no bolso do consumidor.
O representante, no entanto, pondera que o quanto as famílias pagarão também depende da forma como elas reagirão nos próximos dias. Uma eventual corrida aos supermercados com pouco produto à disposição nas gôndolas pode impulsionar ainda mais os valores, segundo ele.
“Nós não acreditamos em desabastecimento de produtos. É lógico que existe sempre a lei da oferta e da procura, o que manda no preço no mercado é justamente isso. Se houver muita demanda e pouca oferta o preço sobe e se houver muita oferta e pouca demanda o preço abaixa. Essa regra vai permanecer, acredito, até o final do ano, mas em desabastecimento não acreditamos”, frisou Canesin.
Em 2020, o arroz já teve uma variação de 19,2% ao consumidor final, entre outros itens da cesta básica, como o óleo de cozinha, que ficaram mais caros, de acordo com o IBGE. O preço pago no campo pelas indústrias em agosto, no entanto, é 63% maior em comparação com o mesmo período do ano passado, segundo o o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea-Esalq/USP).
Prato feito mais caro: arroz lidera a alta dos alimentos no ano
Amanda Paes/G1
A elevação está atrelada à pandemia da Covid-19, que em um primeiro momento ampliou a busca por alimentos básicos nos supermercados para serem estocados, além das exportações. Nesse cenário, aumentou a demanda por parte das indústrias junto aos agricultores, que seguraram o produto para valorizar o alimento que vinha perdendo valor nos últimos anos.
Os consumidores em Ribeirão Preto têm reclamado que já encontram o pacote de 5 quilos a mais de R$ 22. Segundo o diretor da Apas, ainda é possível encontrar, em algumas unidades, a mercadoria abaixo de R$ 20 por conta dos estoques antigos, não influenciados pelas maiores elevações de preço.
“O problema é a hora que o supermercadista tem que repor esse estoque, porque aí ele já vai pagar o custo mais elevado e tem que repassar para o consumidor”, diz.
Além de amenizar a alta, ele espera que o controle dos estoques evite o acesso desproporcional do arroz entre os consumidores. “Com relação à limitação de produtos, é uma política de algumas redes para que todos os consumidores possam ter acesso ao menor preço, para que não se concentre apenas nas mãos de alguns consumidores”, disse.
Preço do arroz assusta aposentada durante as compras em Ribeirão Preto
Chico Escolano/EPTV
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