
Dia da Cachaça é comemorado neste domingo (13). Moradores do Alto Tietê se dedicam à produção da cachaça
No próximo domingo (13) é comemorado o Dia Nacional da Cachaça. Uma bebida que tem grande importância cultural, social e econômica. No Alto Tietê, além de alambiques, os apreciadores da cachaça encontram até museu com peças de colecionador.
O Claudio de Souza é formado em química, mas há três anos, produz cachaça. No alambique dele, em Guararema, tudo é feito com cuidado e precisão. A produção da bebida mais antiga do Brasil, considerada um símbolo nacional, passa por algumas etapas comuns em laboratórios químicos.
Primeiro a cana de açúcar é moída. Com outro aparelho ele mede o teor de açúcar da matéria prima. “Aqui a gente está medindo o teor de açúcar da cana. O ideal seria a gente estar com uma cana de 24. Nessa cana aqui está dando 18, onde a gente vai fazer uma porta para jogar para 16 para fazer a fermentação”, explica.
Se tudo estiver certo, o líquido vai para duas caixas. É a fase conhecida como fermentação, que dura em média 48 horas para o açúcar se transformar em vinagre. Depois disso, no caldeirão de cobre vem uma das etapas mais importantes da fabricação.
“Após a fermentação do caldo de cana, a gente puxa esse caldo para a panela, onde a gente vai começar a fazer a parte de destilagem. Carrega-se a panela, coloca-se fogo. Quando atingir 90 graus, o que é álcool evapora. Não tem para onde sair, [então] ele toca no capelo do alambique, corre. Aí é uma serpentina onde ele lá o choque térmico e sai a cachaça”, detalha Claudio.
O líquido que cai do filtro de papel de cafeteira é a cachaça pura, mas ainda muito forte para beber. O teor alcoólico ainda está em 49%, quando o ideal é chegar a 42%. Para que isso aconteça, a bebida descansa por dois anos em barris de carvalho. Quanto mais tempo ficar guardada ali, mais nobre é a cachaça.
Souza relata que produz cerca de 350 litros da bebida por semana e diz que as vendas não caíram por causa da pandemia. Tanto que ele já está ampliando o espaço da produção. A obra deve ficar pronta até o final do ano.
“É um produto que eu trabalho, que eu faço com o maior amor, carinho, dedicação. Estou com a minha família, estou com meus filhos, minha esposa. É onde a gente consegue fazer um trabalho artesanal e familiar”.
A bebida que tem o DNA brasileiro é tão importante que nos anos 1940 a Disney resolveu homenageá-la no famoso desenho do Zé Carioca. Símbolo do Brasil no exterior, a cachaça é mesmo um patrimônio do país. Na região do Alto Tietê tem, inclusive, um espaço dedicado à bebida. O museu da cachaça fica dentro de um restaurante, no limite entre Mogi das Cruzes, Suzano e Itaquaquecetuba.
De alambique a museu, moradores do Alto Tietê se dedicam à produção da cachaça
Reprodução/TV Diário
São cachaças a perder vista. Mais de 3 mil rótulos. Número que deve, em breve, chegar a 5 mil. A variedade também surpreende: tem da Bahia, de Minas Gerais, de Pernambuco e de Santa Catarina, por exemplo. E, além de todas essas bebidas, o museu também guarda algumas relíquias associadas à cachaça, como esse alambique usado pra produção artesanal.
“Vem de gerações essa coleção, né? Desde o avô do proprietário do estabelecimento, o Sebastião. E do avô dele, passou para o pai dele. E foi pegando o gosto de família, familiar mesmo, né? Amigos deles já sabem que eles colecionam, então amigos presenteiam eles. Eles, quando viajam para cidades, conhecem alambiques e acabam comprando também rótulos diferenciados para aumentar essa coleção”, afirma Rodolfo Coelho Soares, gerente do Museu da Cachaça.
“Então, por ser uma coisa tão bonita, eles quiseram abrir ao público, né? Porque não eles terem a coleção, vai continuar deles, mas eles disponibilizam pra mais pessoas poderem ver e prestigiar”, completa.
O museu está aberto para visitação, mas quem vai até o local precisa usar máscara. A única exceção é na hora de provar a bebida. Afinal, depois de fazer esse passeio pela história dos destilados, seria impossível não degustar.
“Visitando o nosso museu, logo de cara ele terá a possibilidade de experimentar uma cachaça direto do tonel de carvalho, uma cachaça mineira. E aí a gente vai falar um pouco sobre a destilação dela, como que ela é fabricada. Sobre envelhecimentos dela, possibilidade de envelhecimentos, madeiras e ele vai ter tudo isso aqui. Tanto pra ele consumir aqui com alguma comida ou não e tanto pra se ele quiser prestigiar alguém também, como nós temos a nossa cachaçaria pra revenda”, diz o gerente.
Entre as relíquias expostas no museu está a lendária ‘Caninha Pelé’, que homenageia o rei do futebol. A marca, criada em Piracicaba, no interior de São Paulo, se tornou raridade. No fim dos anos 1950, pouco depois de lançada, foi recolhida das prateleiras porque o jogador, na época com 17 anos, não queria ter a imagem associada a uma bebida alcoólica. Depois disso, as poucas unidades vendidas viraram item de colecionador.
E para quem não sabe qual a diferença entre cachaça e pinga, o químico Claudio de Souza explica. “A cachaça, a gente separando as partes dela, a gente fica só com o coração. É a parte mais nobre. Quando a gente mistura cabeça, coração e calda, a gente tem a pinga”, brinca.
