
Linha de frente tem atuação de 45,29% dos servidores do setor. Sindicato cobra adicional de insalubridade para condutores de ambulância. Prefeitura aposta em testagem de todos, treinamento e equipamentos de proteção. Uniforme de enfermeiro do Samu de Piracicaba que foi vítima da Covid-19
Reprodução/EPTV
Um total de 904 profissionais de saúde de Piracicaba (SP), da rede pública e privada, já foram infectados pelo coronavírus deste o início da pandemia. Destes, três morreram.
As informações foram divulgadas ao G1 pela prefeitura por meio da Lei de Acesso à Informação.
De acordo com os dados da administração, a rede municipal possui, atualmente, 1.976 servidores diretos na área de saúde.
Destes, 895 – o que representa 45,29% do efetivo total – atuam na linha de frente de combate à Covid-19, na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) Piracicamirim, Centro de Triagem do Coronavírus e em Unidades de Saúde da Família (USFs), Unidades Básicas de Saúde (UBSs) e Centros de Referência em Atenção Básica (Crabs).
Enfermeiro Renan Daniel do Prado, de 31 anos, que morreu vítima do coronavírus
Reprodução/EPTV
Entre os profissionais que perderam a vida para a doença está o enfermeiro Renan Prado, de 31 anos, que trabalhava no Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) da cidade.
Renan morava em Americana (SP) com a mãe, que também teve a doença quase ao mesmo tempo. Ela chegou a ficar internada, mas se recuperou.
“‘Se eu pudesse trocar de lugar com você, eu trocaria’, eu escrevi para ele. Mas ele falou ‘não, mãe, essa é uma prova que eu tenho que passar'”, lembrou Cleuza Aparecida dos Santos em entrevista à EPTV, afiliada da TV Globo, em junho.
Equipes de Samu das cinco maiores cidades da região têm casos confirmados de Covid-19
Em maio, foi vítima do vírus o ginecologista José Henrique Mello de Freitas, de 56 anos, que sofreu infarto em decorrência da doença.
Freitas também trabalhava no Samu. “A nossa equipe guardará na lembrança o profissionalismo e empenho que sempre nortearam o trabalho do nosso querido colega e companheiro de profissão. Nossos sentimentos aos familiares e amigos”, publicou uma clínica de reprodução humana onde ele trabalhava, à época do óbito.
Médico José Henrique Mello de Freitas, vítima da Covid-19 em Piracicaba
Reprodução/Redes sociais
Sindicato cobra insalubridade
Em nota ao G1, o Sindicato dos Trabalhadores Municipais Piracicaba e Região informou que desde o início da pandemia tem feito inspeções no Samu e unidades de saúde para verificar uso de equipamentos de proteção individual (EPIs), locais de descanso, segurança, limpeza e desinfecção de espaços.
O sindicato reivindica adicional de insalubridade para profissionais como condutores de ambulância, observando que também atuam como socorristas. E diz que uma das conquistas em relação a este setor foi o serviço de desinfecção das ambulâncias.
“Recentemente, a entidade encampou junto aos servidores da saúde, um abaixo assinado para garantir que o SESMT (Serviço Especializado em Engenharia de Segurança e em Medicina do Trabalho) realize ou contrate a perícia especializada dos locais de trabalho e assim possa garantir aos trabalhadores que ficam em exposição constante o direito de recebimento a insalubridade”, informou a entidade.
“O sindicato e a sua diretoria manifestam seus sentimentos de pesares pelo passamento destes servidores guerreiros”, acrescentou.
Teste para coronavírus: prefeitura anunciou ampliação de testagem
Divulgação/ Prefeitura de Piracicaba
Treinamento, EPIs e testagem
Questionada sobre as medidas de prevenção adotadas em relação a estes profissionais, a prefeitura informou que passaram por treinamento e trabalho com EPIs apropriados.
A secretaria também aponta que 100% dos servidores da saúde já foram testados para coronavírus e todos os que tiveram resultado positivos ficaram afastados por pelo menos 14 dias, seguindo protocolo pré-definido pelo Ministério da Saúde.
Ampliação de exames
A Secretaria de saúde também detalhou a ampliação da testagem da população. A previsão é de realizar exames em 50 mil pessoas durante um inquérito sorológico na cidade.
“Estão sendo comprados mais 10 mil testes rápidos (em processo licitatório). Recebemos 26 mil testes rápidos do MS (Ministério da Saúde) e compramos mais 10 mil, no valor total de R$ 875.000,00. Compramos também 2.300 PCR, sendo 2000 no valor total de R$ 236 mil e outros 300, no valor total de R$ 45 mil. Pela parceria com o Instituto Butantan, receberemos mais 14.300 testes rápidos por coleta de sangue”, enumerou.
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