Banco de Olhos de Sorocaba retoma serviço de captação de córneas


Protocolos para captação de órgãos e tecidos foram restringidos desde o dia 23 de março por causa da pandemia do coronavírus. Unidade ficou com estoque zerado pela primeira vez em 40 anos. Atualmente, há mais de três mil pessoas na fila para transplante de córnea em Sorocaba
Arquivo Pessoal
O Banco de Olhos de Sorocaba (BOS) divulgou a retomada do serviço de captação nos hospitais da cidade nesta terça-feira (22). A unidade está com o estoque zerado desde agosto.
No estado de São Paulo, os protocolos para captação de órgãos e tecidos foram restringidos desde o dia 23 de março. Como resultado, o número de doações caiu para perto de zero. No caso de doação de córneas, é preciso que o doador tenha a morte cerebral constatada.
No entanto, para o Sistema Estadual de Transplantes, com maior conhecimento sobre o coronavírus e suas formas de transmissão, é possível retomar o trabalho seguindo alguns protocolos de segurança.
A Secretaria de Saúde informou que os doadores devem ser selecionados com base no histórico clínico para identificar e afastar possíveis causas que possam comprometer a segurança do paciente que receberá o transplante.
Com isso, a estimativa do BOS é que a situação comece a se normalizar em um período de seis a oito meses até atingir 50% da capacidade antes da pandemia.
Estoque zerado
Estoque de córnea está zerado no Banco de Olhos de Sorocaba (BOS)
TV TEM/Reprodução
Em agosto, o estoque do BOS, que é referência nacional no transplante de córneas, estava zerado e a fila de espera, que era de três meses, saltou para três anos. Atualmente, há mais de três mil pessoas na fila.
Essa foi a primeira vez que o hospital ficou com os estoques zerados em 40 anos de atividade. Antes da pandemia, eram captadas 930 córneas por mês. Depois, esse número diminuiu para seis. Os tecidos que são captados passaram a ser usados somente para procedimentos de emergência.
Consequências da espera
O coordenador técnico do banco Hudson Vergennes explica que a demora no transplante pode acatar um agravamento no quadro de saúde e na necessidade de procedimentos cirúrgicos mais complexos, com maiores chances de insucesso.
“Hoje, existem técnicas cirúrgicas que são minimamente invasivas. Por exemplo, pacientes com edema ou inchaço da córnea secundário a uma lesão ou redução das células da sua camada mais interna, que é o endotélio. Com isso, a córnea perde sua transparência e o paciente passa a não enxergar”, explica Vergennes.
Para a médica oftalmologista e coordenadora da área de ensino em Oftalmologia do BOS, Adriana Forseno, outro agravante é o aumento dos casos de ansiedade e depressão de pacientes com baixa visão e que estão na fila de espera.
“Antes da pandemia, o paciente inscrito tinha uma estimativa de quanto tempo ele ficaria na fila. Às vezes, dependendo da região, isso levava em torno de três a quatro meses. Agora, a gente não consegue nem passar uma estimativa ao paciente, porque as captações de córneas nem voltaram”, lamenta a oftalmologista.
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By Midia ABC

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