Pacientes idosos que se recuperaram da Covid-19 usam a fisioterapia para retomar vida normal depois da doença

Programa de reabilitação oferecido na AME Idoso da Lapa, na Zona Oeste de São Paulo, e também na unidade da Vila Mariana, oferece fisioterapia, nutricionista e fonoaudióloga para idosos que enfrentaram a doença na capital paulista. São Paulo já tem mais de um milhão de casos confirmados de Covid-19
Pacientes com mais de 60 anos que se recuperaram da Covid-19 têm que reaprender uma série de funções do corpo para voltar à vida normal em São Paulo. Respirar sem a ajuda de aparelhos é uma delas. Para isso, existem equipes que dão assistência especial e ajudam os idosos a retomar a vida como ela era antes da doença.
A marca no pescoço da dona Francisca é só uma das sequelas físicas que a Covid-19 deixou. Ela passou por uma traqueostomia, processo para ajudar na respiração com aparelhos. Ficou 35 dias internada na UTI e teve alta há três meses.
“Cheguei em casa de cadeira de rodas, eu não conseguia me locomover, eu não conseguia ir no banheiro, eu não conseguia levantar do sofá, eu tinha que ser levantada por alguém, eu não conseguia tomar banho. Comia só papinha de neném, tudo batido no liquidificador”, afirma ela.
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Foram os exercícios de fisioterapia para recuperar a força dos braços e das pernas que colocaram a dona Francisca de pé e andando. Ela também precisou da ajuda da fonoaudióloga para reaprender a engolir direito.
“Faço fisioterapia, passo com a nutricionista, passo com a fonoaudióloga para fazer uns exercícios para fortalecimento dos músculos também, né. Da garganta…e passo com a terapia ocupacional por causa dos braços e das mãos”, conta ela.
O atendimento que a dona Francisca está recebendo faz parte de um programa de reabilitação oferecido na AME Idoso da Lapa, na Zona Oeste de São Paulo, e também na unidade da Vila Mariana. Por enquanto, são sessenta vagas abertas para acolher idosos que já estão curados da Covid-19, mas ainda precisam se recuperar de outras complicações que a doença deixou.
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Os pacientes são encaminhados pelas unidades básicas de saúde (UBSs) e hospitais da rede pública de saúde de São Paulo.
“É uma recuperação que envolve toda a equipe multidisciplinar. Fisio, fono, nutrição, tem que ser um trabalho integrado, que ajude a recuperar toda funcionalidade dele e não olhar um aspecto só do que ele necessita”, afirma o diretor-clínico da AME Idoso Lapa, Marcelo Cruz.
Uma força-tarefa de profissionais de várias áreas também foi fundamental para ajudar na recuperação do Romeu, de 72 anos, que procurou uma clínica particular.Ele teve um câncer de pulmão e também pegou Covid-19.
Depois da alta, a luta foi pra recuperar a capacidade de respirar sozinho.
“Fiquei muito tempo sem falar, não conseguia nem abrir os olhos, tinha que abrir os olhos com a mão. então foi uma recuperação bem grande se fosse ficar pensando há dois meses atrás”, disse ele.
O geriatra Eduardo Dias, que trabalha em uma clínica especializada em reabilitação de pacientes graves em São Paulo, explica que a Covid-19 também pode deixar o paciente desorientado por um bom tempo, mesmo depois da alta hospitalar.
“As vezes esses pacientes ficam muito confusos, desorientados, faz parte do processo de reabilitação desses indivíduos também de auxiliá-los nesse processo de reorientação tempo-espacial, deles saberem onde eles estão, em que tempo eles estão quem são eles, o que que eles são capazes de fazer, os riscos que eles correm até por segurança dos indivíduos como o senhor Romeu, que se sente agora que voltou a enxergar e a falar?”, afirma Dias.
“[Me sinto] muito bem. Ainda falta o principal que é aprender a comer, ou seja, melhorar os músculos da deglutição, aí completa”, afirma o idoso.
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By Midia ABC

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