TSE determina a suspensão de pesquisa que indicou queda na popularidade de Flávio Bolsonaro

Nesta segunda-feira (8), o ministro Kassio Nunes Marques, que preside o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), decidiu suspender a divulgação da pesquisa Atlas/Bloomberg. O estudo indicou uma diminuição de seis pontos percentuais nas intenções de voto do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) em um hipotético segundo turno contra o presidente Lula (PT).

O resultado da pesquisa foi publicado no dia 19 de maio.

A decisão de Kassio atende parcialmente a um pleito da pré-campanha de Flávio, que argumenta que a estrutura do questionário da pesquisa foi “elaborada de maneira a gerar uma percepção negativa” sobre o senador. A campanha bolsonarista ainda alegou que a forma como as perguntas foram dispostas e os temas abordados, incluindo “associações entre o pré-candidato, Daniel Vorcaro e o Banco Master, contaminam e induzem as respostas dos entrevistados”.

Em resposta ao assunto, Andrei Roman, CEO da AtlasIntel, declarou que o instituto optou por não se manifestar no momento e aguardará uma decisão colegiada.

Na justificativa de sua decisão, Kassio ressaltou que as circunstâncias apresentadas sustentam os argumentos que sugerem “possível uso de estímulos indutivos capazes de afetar as respostas relativas à imagem, rejeição e intenção de voto”, reforçando a validade jurídica da alegação de que a pesquisa pode ter ultrapassado os limites da aferição estatística regular.

O ministro, indicado pelo ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), destacou que não se trata apenas de uma discordância em relação à metodologia utilizada, mas sim da possibilidade de indução do entrevistado através das perguntas formuladas, “especialmente devido à sequência das questões e ao uso de expressões com carga valorativa negativa”.

Anteriormente, a Atlas já havia afirmado em comunicado não haver problemas metodológicos na pesquisa.

Segundo o questionário enviado pela Atlas ao TSE, um áudio contendo uma conversa entre Flávio e Vorcaro foi apresentado aos entrevistados como última parte do levantamento. Os participantes responderam a 48 perguntas, começando pelas intenções de voto. Na última questão, os entrevistados assistiram a um vídeo com áudio e podiam arrastar para a direita se estivessem “avaliando de forma mais positiva” ou para a esquerda se estivessem “avaliando de forma mais negativa” o conteúdo apresentado. A peça incluía imagens de Flávio e Vorcaro para ilustrar o diálogo.

Os argumentos apresentados pela pré-campanha de Flávio para solicitar a suspensão da pesquisa foram considerados frágeis por dois especialistas consultados. Eles relataram não enxergar indícios de manipulação ou indução nos principais resultados, mas fizeram algumas observações técnicas sobre o levantamento.

By Midia ABC

Veja Também!