
Famílias inteiras que tinham no comércio única fonte, ficaram sem renda após restrições impostas pela pandemia de coronavírus. Comerciantes de Aparecida sofrem com queda nas vendas durante a pandemia de coronavírus
Danilo Sardinha/G1
Milhões de pessoas passam todos os anos por Aparecida. A cidade de 36 mil habitantes do interior de São Paulo se tornou destaque na rota de turismo com o Santuário Nacional e a demanda fez crescer a economia da cidade entorno do turismo religioso.
A pandemia, no entanto, afetou a economia local e os negócios de muitos moradores. Com as restrições impostas por causa do coronavírus, famílias inteiras que tinham no comércio única fonte, ficaram sem renda.
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Acostumados com a grande movimentação de fiéis, os comerciantes se depararam com as ruas vazias por ao menos quatro meses após o Santuário Nacional de Aparecida ficar sem público nas missas por causa da pandemia.
Claudemir vive da venda de sorvetes em Aparecida
Arquivo Pessoal
Claudemir Maciel vendia sorvetes de domingo a domingo no entorno Santuário. Aparecida, também conhecida pelo intenso calor, era um território fácil para o seu nicho. Há nove anos o ambulante sustenta os filhos com a venda de sorvetes.
Ele conta que vendia, em média, R$ 800 ao dia com o movimento de turistas. Número que chegava a ser maior em dias como 12 de outubro. Sem o turismo, teve de focar no comércio local e viu a renda despencar para R$ 40 por dia.
A base de renda da família é o comércio ambulante. A esposa vende água, refrigerante e suco na feira — outro ponto turístico da cidade. Com o espaço fechado, a pouca venda de sorvete era a única fonte.
“Eu coloquei na internet, fazia minha propaganda para quem mora aqui. O pessoal pedia mais para me ajudar mesmo. Às vezes vendia um valor, outros dias não saia nada. Com o frio, foi ficando difícil. Tive que pedir o auxílio do governo ou não íamos ter nada”, conta.
Vanessa tem loja de artigos religiosos e teve de fechar ponto e demitir funcionários
Arquivo Pessoal
Vanessa Elache também vive do comércio. O negócio havia expandido nos últimos anos e tinha duas lojas, com sete funcionários para a venda de um dos atrativos principais da cidade: os artigos religiosos. Com restrições na Basílica, o principal atrativo para o negócio, o movimento caiu.
“A gente foi tentando fazer o negócio sobreviver, insistindo na venda pela internet. Vendo outros colegas fecharem, venderem seus pontos. Comércios de longa data”, conta.
O comércio de Vanessa ficou fechado por cinco meses. O reflexo da pandemia foi o encerramento de um dos pontos de venda e a demissão de seis funcionários. “A gente tem feito 30% do que fazia e vem tentando se manter, esperando que o ano que vem seja melhor”.
O Dia da Padroeira, 12 de outubro, é a melhor data para o turismo da cidade. Os dias que antecedem, com a novena, já mantém alto o movimento. Apesar da flexibilização que permitiu a retomada da missa, a visita a Aparecida tem sido tímida, segundo os comerciantes.
Claudemir conta que sempre aproveitou as altas temperaturas da cidade na temporada para fazer sua melhor época de vendas, mas que esse ano não está otimista.
“A gente já sabe que não vai ser a mesma coisa e nem perto do que sempre foi. Acho que, pela primeira vez, o Dia da Padroeira vai ser de quem mora aqui. Um dia de reflexão para nós e de muita oração por um 2021 melhor”.
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