Organização atribui estimativa ao aumento populacional, crescimento das atividades econômicas, aumento das temperaturas e ao desperdício de água. Demanda por água no estado vai crescer 11% nos próximos 20 anos
A demanda por água no estado de São Paulo vai crescer pelo menos 11% nos próximos 20 anos, de acordo com levantamento do Instituto Trata Brasil divulgado nesta quarta-feira (26). Os dados revelam a importância dos governos se planejarem para evitar uma nova crise hídrica.
Segundo a organização da sociedade civil, em 2017, 2,8 bilhões de metros cúbicos de água chegaram às casas dos paulistas. Daqui a 20 anos, essa demanda deve subir 11% devido ao crescimento da população e ao desenvolvimento econômico.
“Nós temos um crescimento demográfico que vai demandar mais água tratada para alimentação, para higiene. O crescimento econômico também é um fator importante porque leva à ampliação de negócios comerciais e serviços na cidade, como restaurantes, por exemplo, que também demandam água na produção”, explicou o professor doutor Fernando Garcia, pesquisador do Trata Brasil.
Ele disse ainda que outros dois fatores podem aumentar ainda mais essa necessidade: o aumento das temperaturas e o desperdício da água.
A tendência é de que a temperatura no estado aumente. Se o aumento for de um grau centígrado será preciso produzir mais 118 milhões de metros cúbicos.
Ao mesmo tempo, São Paulo desperdiça 35% da água tratada por causa de desvios clandestinos e vazamentos, por exemplo. Se a média se mantiver será preciso produzir outros 172 milhões de metros cúbicos de água para suprir essa necessidade.
“Na verdade, uma coisa que chama muita atenção é que a gente já tem essa água, mas o estado desperdiça 35% dela. Uma redução desses níveis para 20%, já seria um número bastante razoável para o padrão brasileiro e permitira atender essa nova demanda, essa pressão que virá no futuro, sem alterar nada do que se extrai de recursos hídricos da natureza. Ou seja, é questão de permitir que esse crescimento de demanda seja sustentável, aproveitando os mesmos recursos”, continuou o professor.
Questionada sobre como tem lidado com esse panorama, a Sabesp respondeu em nota que vai investir mais de R$ 20 bilhões em obras de saneamento nos próximos cinco anos para atender à futura demanda de água.
Regularizar ocupações
Investir em estrutura da rede e regularizar territórios de ocupação contribuiria para diminuir o desperdício de água, eliminando os famosos “gatos”, segundo o Instituto Trata Brasil.
Há duas décadas, quem vive na comunidade Fazendinha, por exemplo, no limite entre a capital e o município de Osasco, pede para a Sabesp regularizar o abastecimento de água.
“Fica aquele jogo de empurra – um fala que é com São Paulo, outro fala que é com Osasco e nunca resolve nada”, disse Carla Aguiar Xavier, moradora da comunidade.
Cerca de 400 famílias moram na ocupação e não têm acesso à água tratada. Elas, então, improvisam com tubulações que puxam a água de um córrego, mesmo sem tratamento, o que representa um grave problema, principalmente, em meio à pandemia.
“A gente tem idoso, deficientes, pessoas de risco. Eu mesma tenho minha mãe, que faz hemodiálise, e tem problema de diabetes. A gente fica muito preocupada e paga algumas pessoas para buscar água de carro para manter a higiene e limpeza da casa. É muito difícil, é muito preocupante”, disse Silvia Regina Paulino, líder comunitária.
Em nota, a Sabesp disse que a comunidade Fazendinha é uma ocupação e, por isso, precisa da autorização do município para regularizar o abastecimento.
Demanda por água em SP vai crescer 11% em 20 anos, aponta estudo do Instituto Trata Brasil
