
Casal de Rio Preto (SP) foi para a Ucrânia, no meio da pandemia da Covid-19, ver o nascimento da filha Pietra, gerada em barriga de aluguel. Casal do interior de SP enfrenta saga para trazer filha gerada por barriga de aluguel
Depois da saga de cruzar o oceano Atlântico e passar por três países durante a pandemia do coronavírus, enfrentando fechamento de fronteiras e cancelamentos de voo, o casal de São José do Rio Preto (SP) Camila Pavan e Adriano Simões Garbelini, que agora curte a pequena Pietra, gerada em barriga de aluguel em Kiev, na Ucrânia, conta que “faria tudo de novo” se fosse preciso.
“Eu só tenho gratidão sabe, porque eu lutei muito para conseguir, eu atravessei o mundo no meio de uma pandemia. Deus pegou um anjinho e me entregou”, afirma.
Um vídeo mostra o momento que o casal encontra pela primeira vez filha, ainda em solo ucraniano (veja acima).
Vídeo mostra casal de Rio Preto vendo a filha pela primeira vez
TV TEM/Reprodução
Pietra veio ao mundo em junho por meio de barriga de aluguel, alternativa encontrada por Adriano e Camila após 10 anos de tentativas frustradas. “A gente perdeu duas gravidez. Depois a gente procurou adoção, barriga solidária com minha irmã e a gente não conseguiu”, afirma Camila.
A mãe da Pietra conta que não pode gerar um bebê porque tem uma doença degenerativa. “Eu tenho contraindicação para engravidar por dois motivos. Um por causa do peso da barriga e outro porque conforme a barriga vai crescendo ela vai apertar o diafragma e como minha doença atinge os músculos eu posso ficar sem respirar no final da gestação”, diz.
O procedimento de barriga de aluguel precisou ser fora do Brasil, porque a legislação brasileira não permite.
Já em solo brasileiro, Pietra é cuidada pelos pais de Rio Preto
TV TEM/Reprodução
“Nós não temos nenhuma regulamentação legislativa que trata do tema. Então tudo por analogia, desdobramento, nós temos um dispositivo na Constituição que trata da doação de órgãos e ele proíbe que a gente doe órgãos, tecidos, mediante remuneração. Por isso nós temos a barriga de aluguel proibida”, diz Henry Atique, professor de direito constitucional.
A gravidez ocorria tranquilamente, com o casal recebendo todas as informações sobre a gestação da clínica da Ucrânia. Seria tudo tranquilo, até decreto da pandemia de Covid-19. A Pietra nasceu em junho, justamente quando as fronteiras de muitos países estavam fechadas para brasileiros.
“Os voos começaram a ser cancelados e eu cheguei em casa e vi a Camila chorando, com medo de perder o parto”, diz Adriano.
Depois de muitas tentativas, Camila e Adriano conseguiram um voo para Amsterdã, na Holanda. De lá seguiram para a Munique, na Alemanha, onde pegaram um voo de repatriação de ucranianos, com destino a Kiev.
“Os voos para gente chegar lá precisou de autorização especial de vários países para conseguir chegar, conseguimos receber autorização de última hora”, diz.
Na Ucrânia, eles ainda ficaram nove dias de quarentena, num hotel. Só foram liberados do isolamento às vésperas do parto da filha. Eles permaneceram no país por quase dois meses, antes de voltar ao Brasil, para a menina fortalecer o sistema imunológico.
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