
Crianças com idades entre 4 e 5 anos são as mais infectadas pela doença. Maior parte dos alunos assintomáticos que moram com idosos é da rede privada. Estudante da rede pública estadual de São Paulo faz a prova do Saresp
Divulgação/Governo do Estado de São Paulo
Mais de 244 mil alunos das redes pública e privada já tiveram contato com o vírus da Covid-19 na capital paulista e 66% são assintomáticos, segundo pesquisa da Prefeitura de São Paulo divulgada nesta quinta-feira (17). A terceira fase do inquérito sorológico entre crianças e adolescentes aponta que 16,5% dos alunos possuem anticorpos do novo coronavírus.
Essa é a primeira vez que estudantes de escolas particulares e de escolas estaduais do município de São Paulo participaram da pesquisa. A primeira e segunda fase do inquérito foram feitas apenas com alunos da rede pública municipal. A coleta dos exames de sangue foram realizadas entre os dias 1 e 3 de setembro.
O índice de prevalência das escolas particulares foi de 9,7% e de 17,2% na rede estadual. Já a pesquisa na rede municipal de ensino apontou que 18,4% dos alunos foram contaminados, quase o dobro da rede privada. Na primeira fase do inquérito, a prevalência entre alunos da rede municipal foi de 16,1% e de 18,3% na segunda fase.
O exame sorológico avalia a presença de anticorpos específicos (IgM/igG). Portanto, identifica casos passados da doença. Ele é usado para monitorar a porcentagem da população que já teve contato com o vírus. A presença de anticorpos no organismo não significa que a pessoa está imune à doença.
Coletiva da Prefeitura de SP
Reprodução/YouTube
Assintomáticos
Dos 66% das crianças e adolescentes das escolas públicas e privadas que não apresentaram sintomas da doença, 70,3% são da rede privada. Os alunos das escolas particulares representam a maioria dos assintomáticos. Desses, 31,1% moram com pessoas com mais de 60 anos que fazem parte do grupo de risco.
O secretário municipal de São Paulo, Edson Aparecido, disse ainda que os estudantes da rede privada, além de possuírem um potencial maior de assintomáticos, são os que mais convivem com maiores de 60 anos em casa.
“Os escolares do município apresentam alta proporção de assintomáticos, 66%, essa elevação é decorrente dos escolares da rede privada que são 70.3% assintomáticos. Merece destacar que esse é o extrato que mais apresenta convivência em seus domicílios com moradores acima de 60 anos, 31%. Eles ainda apresentam a menor prevalência entre os estratos da cidade de escolares 9.8%. Portanto são as crianças que podem estar em maior exposição neste momento. Temos aqui um exemplo que na rede privada se temos 100 crianças somente 10% foram contaminadas dessas, 7 seriam assintomáticas”, disse Aparecido.
Na rede estadual de ensino, 64,1% dos que apresentaram resultado positivo para o coronavírus são assintomáticos. Já na rede municipal, 66,4% dos alunos não tiveram sintomas.
Nesta quinta-feira (17) a Prefeitura de São Paulo também divulgou a quinta fase do inquérito sorológico realizado em adultos. A pesquisa constatou uma média de 40% de assintomáticos entre maiores de 18 anos na capital paulista que testaram positivo para a sars-cov-2.
“No município 66% das crianças são assintomáticas, então é um número bastante superior ao número de adultos assintomáticos no município. Então, a criança tem contato com o vírus, mas parte significativa dela, 2/3 delas são completamente assintomáticas”, disse Aparecido.
O prefeito Bruno Covas (PSDB) disse que o alto percentual de assintomáticos é um fator importante para a decisão sobre a volta do ensino presencial na cidade.
“É importante ressaltar que é muito grande a preocupação da prefeitura por conta dos estudos apresentados e das recomendações da nossa área de saúde, da vigilância sanitária com a questão da volta as aulas. Estamos falando de uma contingência de 1 milhão e meio de alunos. A proporção de assintomáticos bem maior nas crianças do que quando comparado aos adultos, basicamente 70% e 40% respectivamente, a possibilidade e o receio de um segundo pico da doença caso essa atividade [aulas presenciais] volte de forma integrada na cidade de São Paulo de uma hora para outra. Então, é preciso modular, ter a devida precaução com a saúde, não apenas dos nossos alunos, mas dos professores e dos familiares”, disse Covas.
Perfil
O inquérito sorológico mostra que as crianças com idades entre 4 a 5 anos (17,4%) foram as mais infectadas, em todas as redes de ensino da cidade, seguido pelas que possuem entre 6 e 10 anos (16,6%) e depois as com idade entre 11 e 14 anos (15,9%).
O inquérito também verificou os alunos de cor preta e parda formam a maioria dos contaminados (17,6%), enquanto que na cor branca o percentual foi de 15,4%. A diferença já foi notada em pesquisas anteriores.
Os alunos que fazem parte das classes sociais D e E tem mais que o dobro (17,6%) de contaminados do que os alunos que pertencem às classes A e B (8,4%).
A adesão ao distanciamento social chega a 98,8%. Já o uso das máscaras em locais públicos por estudantes chega a 90%.
Volta às aulas
O prefeito Bruno Covas (PSDB) também anunciou nesta quinta-feira (17) que atividades extracurriculares para alunos do Ensino Infantil, Fundamental e Médio, estarão liberadas a partir do dia 7 de outubro. A definição sobre a retomada das aulas regulares, entretanto, só deve ser divulgada em novembro.
Quanto ao ensino superior, a prefeitura permitiu as aulas sejam retomadas na mesma data. A decisão vale para o ensino público e privado na cidade.
“Não tem mais sentido, com os dados que nós temos, continuar a proibir o ensino superior na cidade de São Paulo. E em relação aos alunos de 0 a 17 anos, de responsabilidade do município, estado e rede privada, vamos liberar a partir de 7 de outubro as atividades extracurriculares”, disse Covas nesta quinta (17).
Resumo:
Ensino Superior: Liberado retorno presencial em outubro
Ensino Médio: Liberado apenas para atividades de reforço em outubro
Ensino Fundamental: Liberado apenas para atividades de reforço em outubro
Ensino Infantil: Liberado apenas para atividades de reforço em outubro
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Mais de 244 mil alunos das redes pública e privada possuem anticorpos da Covid-19 na cidade de SP e 66% são assintomáticos
