Metade das mortes investigadas na cidade de São Paulo em 8 meses de 2020 tem participação de PMs

Ao todo, 367 policiais da corporação, que integram 42 batalhões, são investigados por envolvimento nessas mortes, segundo boletins de ocorrência registrados no DHPP no período. Levantamento exclusivo revela participação de policiais em metade das mortes na capital
Metade das mortes investigadas na cidade de São Paulo pelo Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), da Polícia Civil, de janeiro a agosto de 2020, tem a participação de policiais militares, segundo um levantamento exclusivo realizado pelo SPTV.
Dos 389 homicídios registrados no DHPP em oito meses deste ano, 190 estão relacionados a PMs. Ao todo, 367 policiais da corporação, que integram 42 batalhões, são investigados por envolvimento nessas mortes.
Em 40 casos investigados, os suspeitos levaram quatro tiros ou mais.
Para pesquisadores da área da segurança pública, a letalidade policial está ligada diretamente aos comandos dos batalhões. A PM, por sua vez, diz que a letalidade policial vem caindo nos últimos meses e que espera atingir a marca de zero em mortes provadas por intervenções policiais.
Uma das mortes investigadas é a do adolescente Igor Rocha Ramos, de 16 anos, morto por um policial militar em 2 de abril deste ano na região do Sacomã, na Zona Sul de São Paulo. Segundo a família, o jovem só tinha saído de casa para comprar pão.
Já segundo testemunhas, no caminho, Igor viu a policia e correu. Levou um tiro na nuca, com morte instantânea, revoltando parentes e vizinhos. O policial investigado no caso declarou que o adolescente apontou uma arma.
Mortes como a do Igor são registradas como decorrentes de intervenção policial e investigadas pelo DHPP.
“Investigamos se o policial agiu dentro da legalidade. Se caso for verificado que ele não agiu em legítima defesa ou se teve algum excesso por parte dele, ele é responsabilizado”, diz Fábio Pinheiro Lopes, diretor do DHPP.
De janeiro a agosto, 218 pessoas foram mortas pela PM: 56 morreram nos locais de confronto e 162 foram levadas para hospitais, mas não resistiram. Ao todo, 377 policiais militares se envolveram em ocorrências com mortes. Em 26 casos, os PMs estavam de folga.
A lei diz que os policiais tem o direito de se defender, usando armas, de forma moderada, para conter o criminoso ou agressor.
Do total de 190 casos investigados, os peritos descreveram ferimentos à bala em 90 casos e apontaram que 35 pessoas levaram tiros nas costas. O mês de abril foi o que registrou o maior números de casos de homicídios envolvendo policiais militares na capital: foram 43 mortes.
A Polícia Militar afirma que todos os casos são investigados e quando há uma morte, é obrigatória a presença do comandante do batalhão, além do comandante de companhia, do tenente de serviço e de técnicos da Corregedoria no local da ocorrência. Segundo a PM, depois da alta nos cinco primeiros meses no estado, em relação ao ano passado, a média mortes envolvendo policiais vem caindo nos últimos 3 meses.
A PM informou que a queda foi o resultado da criação de uma comissão para ajustar protocolos de atuação e procedimentos operacionais padrão e também investimentos em equipamentos de menor potencial ofensivo.
“Nós estamos muito otimistas que essa queda é uma queda sustentada porque não é uma queda ao acaso, ela está lastreada em medidas eficientes de gestão do comando da polícia militar. A nossa perspectiva é que não só continue caindo as ocorrências com resultado morte mas que se intensifique essa queda. Essa é a nossa perspectiva, é o nosso desejo, evidentemente nós vamos procurar sempre a letalidade zero, sabendo que é uma meta muito difícil de ser alcançada, mas é o que almeja o comando da polícia militar nesse momento”, disse o tenente-coronel Emerson Massera, porta-voz da PM.

By Midia ABC

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