Número de jovens com 16 a 18 anos que vão votar em Ribeirão Preto, SP, cai 46,5%, diz TRE


Em 2016, 373 adolescentes com 16 anos pediram o título de eleitor, enquanto não houve registro em 2020. Sociólogo afirma que desinteresse está ligado à falta de políticas públicas para faixa etária. Dados do TRE mostram queda no n° de jovens que vão às urnas em Ribeirão Preto
O número de adolescentes com idade entre 16 e 18 anos que vão às urnas em Ribeirão Preto (SP) caiu 46,5% em relação à eleição municipal de 2016, de acordo com o Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo (TRE-SP).
Nenhum eleitor de 16 anos vai votar, enquanto, em 2016, foram 373. Já entre os moradores de 17 anos, a quantidade que vai às urnas caiu de 1.330 para 600 – uma baixa de 54,88%. Entre os eleitores de 18 anos, por fim, a queda é de 53,42%, de 4.977 para 2.318 eleitores.
O Tribunal Regional Eleitoral também aponta que a maior parte dos 441.845 eleitores da cidade tem entre 35 e 39 anos, enquanto, na eleição de 2019, a principal faixa etária era de 30 a 34 anos.
O estudante Lucas Bento, de 17 anos, é um dos jovens que decidiu não votar este ano. Apesar de ser ligado às discussões políticas do momento, como educação, saúde e meio ambiente, ele prefere se dedicar aos estudos para se preparar para o vestibular, em vez de se preocupar com política.
“Não vou votar, porque prefiro esperar os 18 anos, para poder estudar um pouco mais e ver em quem posso votar. É um peso muito grande para nossa idade. Precisamos amadurecer um pouco mais para poder votar”, diz.
Estudante de 17 anos diz que prefere ‘amadurecer’ antes de votar em Ribeirão Preto
Chico Escolano/EPTV
O estudante Lucas Cabral, de 16 anos, pensa o contrário. Ele diz que tinha interesse em ir às urnas para ajudar a escolher o novo prefeito e os vereadores da cidade, mas não conseguiu tirar o título de eleitor por conta da quarentena.
“Não só eu, como os meus amigos, foram prejudicados pela quarentena. Eles precisavam do título por conta da faculdade e de diversos motivos, mas não foi possível”, afirma.
Estudante queria votar, mas não conseguiu tirar título de eleitor em Ribeirão Preto
EPTV/Reprodução
Falta de políticas para jovens
O sociólogo Wlaumir Souza diz que a pandemia influenciou na queda dos eleitores adolescentes, como ocorreu entre os amigos de Lucas, mas atribui a baixa principalmente à falta de políticas públicas voltadas para esta faixa etária.
“Há um desencantamento dos jovens. Eles estão percebendo que a política não tem sanado as questões sociais e econômicas do país, então eles precisam de um envolvimento. E, para haver envolvimento, precisamos de uma política com resultados para a população.”
O sociólogo afirma que educação, saúde, moradia e geração de empregos são os assuntos que mais atraem os adolescentes, por estarem diretamente ligados ao dia a dia deles. Ele diz que, com a baixa adesão dos jovens, a renovação política pode ser menor.
“A possibilidade de renovação é menor porque, em geral, os mais velhos já têm seus candidatos carimbados, por tradição ou filiação a algum partido, e os mais jovens vêm com inovação, então a renovação deverá ser comprometida”, explica.
Sociólogo diz que falta de políticas para adolescentes diminui interessa pelas eleições municipais em Ribeirão Preto
Chico Escolano/EPTV
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By Midia ABC

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