O impacto do café no bem-estar e na saúde: descubra como essa bebida pode transformar sua vida.

Qual é a relação entre o consumo de café e os níveis de estresse nas pessoas que apreciam essa bebida? Pesquisadores acreditam que a resposta pode estar ligada ao intestino e às bactérias que o habitam.

O impacto do café na saúde tem sido amplamente investigado, com foco em sua influência no humor e no funcionamento intestinal. Estudos demonstram que essa bebida popular está relacionada a diversos benefícios, incluindo a diminuição do risco de diabetes tipo 2, doenças cardíacas e até mesmo uma menor probabilidade de desenvolver a doença de Parkinson.

Recentemente, uma nova pesquisa indicou que consumir de duas a três xícaras de café diariamente pode contribuir para a redução do risco de demência e retardar o declínio cognitivo. O estudo, publicado na revista científica Jama em 2026, envolveu alunos da Escola Pública de Saúde T.H. Chan, da Universidade Harvard, em colaboração com o Instituto Broad do MIT.

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Conforme dados coletados em 2025 pelo Instituto Axxus, cerca de 44% dos brasileiros consomem entre três e cinco xícaras de café por dia. As informações foram obtidas por meio de entrevistas com mais de quatro mil participantes e divulgadas pela Associação Brasileira da Indústria de Café (Abic).

Entre os apreciadores da bebida, 63% afirmam que consomem café para sentir uma melhora no humor e na disposição, enquanto 42% veem o ato como um momento para pausa e reflexão.

O grupo do APC Microbiome Ireland, da Universidade College Cork, busca compreender como esses efeitos ocorrem. “O café é mais do que apenas cafeína”, afirma John Cryan, principal autor do estudo. “Trata-se de um alimento complexo que interage com nossa microbiota intestinal, nosso metabolismo e até mesmo nosso estado emocional.”

A resposta está… nas bactérias

“Nossos achados revelam as interações entre o microbioma e as respostas neurológicas ao café”, explica Cryan. “O consumo dessa bebida pode alterar o comportamento coletivo dos microrganismos presentes no intestino e os metabólitos por eles utilizados.”

De acordo com o professor, os resultados sugerem que até mesmo o café descafeinado pode impactar a saúde de maneiras diferentes, mas complementares. Para chegar a essa conclusão, os pesquisadores analisaram como o consumo dessa bebida afeta a comunicação entre microbiota intestinal e cérebro.

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Eixo microbiota-intestino-cérebro

“A microbiota intestinal é um ecossistema complexo composto por diversas bactérias que exercem funções essenciais, como proteção contra patógenos, absorção de nutrientes e regulação imunológica”, afirmam as pesquisadoras Livia Pinto Heckert Bastos e Marluce Shirlei Cordeiro.

Estudos evidenciam que essa microbiota influencia na comunicação bidirecional entre intestino e cérebro, incluindo bactérias que podem tanto melhorar quanto agravar a saúde mental.

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De diários até testes psicológicos

O estudo contou com 62 participantes: 31 eram consumidores regulares de café enquanto os outros 31 não consumiam. Considerou-se consumidor aquele que ingere regularmente entre três e cinco xícaras por dia, quantidade considerada segura pela Autoridade Europeia para Segurança Alimentar (EFSA).

Todos os envolvidos passaram por uma série de avaliações psicológicas, registraram seu consumo diário de cafeína e alimentação em diários alimentares, além de realizarem testes laboratoriais com fezes e urina. Esses dados foram analisados para compreender as alterações no microbioma individualmente e suas possíveis correlações com humor ou estresse.

Abstinência 

Os participantes permaneceram duas semanas sem consumir café. Entre aqueles que costumam beber regularmente a bebida, foram observadas mudanças significativas nos perfis dos metabólitos durante este período em comparação aos não consumidores.

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Diferença entre descafeinado e com cafeína?

Após esse período de abstinência, o café foi reintroduzido aos consumidores habituais em um formato anônimo: metade deles tomou descafeinado enquanto a outra metade consumiu café com cafeína sem saber qual era qual.

Ambos os grupos relataram diminuição dos níveis de estresse, depressão e impulsividade, além de melhorias no humor e na cognição. “Isso sugere que o café tem um efeito positivo significativo no humor independentemente da presença da cafeína”, informa a universidade.

Bactérias

Outro ponto importante observado foi o aumento das bactérias Eggertella sp e Cryptobacterium curtum, presentes em maior quantidade entre os consumidores regulares em comparação aos não consumidores. Ambas podem desempenhar papéis importantes na eliminação das bactérias nocivas à saúde intestinal e infecções gástricas.

Além disso, nas mulheres participantes foi verificado um aumento na bactéria Firmicutes, associada à promoção de emoções positivas.

Aprimoramento da aprendizagem e memória? Só com café descafeinado

Os pesquisadores notaram uma melhoria na aprendizagem e memória apenas entre aqueles que consumiram café descafeinado. Esse resultado sugere que componentes além da cafeína podem ser responsáveis pelos benefícios observados.

Por outro lado, somente o consumo do café com cafeína esteve ligado à redução da ansiedade, ao aumento do estado alerta e atenção além da diminuição das inflamações.

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Café não faz milagres

O pesquisador alerta ainda para o fato de que simplesmente consumir café não resultará automaticamente nos benefícios descritos. “À medida que as pessoas buscam equilibrar sua dieta para promover uma boa saúde digestiva, o café pode servir como um complemento dentro de uma alimentação saudável”, enfatiza ele.

Como ocorre com qualquer alimento ou bebida benéfica à saúde, é fundamental manter um estilo de vida equilibrado e entender que nem todos se beneficiarão igualmente do consumo desta bebida. Em caso de dúvidas sobre sua dieta ou saúde pessoal, recomenda-se sempre consultar um médico ou especialista qualificado.

Limitações

Uma das limitações identificadas no estudo foi a falta de medições diretas sobre a passagem fecal influenciada pelo consumo do café; isso exigiria testes invasivos. Por esse motivo foi utilizada a Escala Bristol para Fezes (BSS) como referência.

Os pesquisadores também destacam que não foram analisados os resultados levando em consideração as diferenças raciais entre os grupos estudados. A pesquisa recebeu apoio financeiro das empresas Nutricia, DuPont/IFF e Nestlé.

Fontes: Coffee and Tea Intake, Dementia Risk and Cognitive Function (2026); Eixo microbiota-intestino-cérebro: alimentação e saúde mental – uma revisão bibliográfica; Evolução dos Hábitos e Preferências dos Consumidores de Café no Brasil (2019-2025); Habitual coffee intake shapes the gut microbiome and modifies host physiology and cognition (2026);

By Midia ABC

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