O diretor-geral da Comusa, Paulo Kopschina, deu início ao seu pronunciamento na Câmara de Vereadores com um apelo: “Estamos aqui para pedir socorro, pedir ajuda”. Ele participou da sessão dessa segunda-feira (1º) a convite do presidente do Legislativo, vereador Juliano Souto (PL).
Kopschina esteve acompanhado pelo diretor técnico da autarquia, Neri Chilanti, ambos expressando sua oposição à possível privatização da companhia. Esse tema foi levantado em 30 de março pelo governador Eduardo Leite (PSD), que apresentou uma proposta de parcerias público-privadas para diferentes setores no Estado.
O portfólio de projetos abrange serviços em várias áreas, incluindo a concessão de saneamento em 176 municípios que atualmente não recebem atendimento da Corsan/Aegea.
“Não aceitamos essa imposição do governo estadual. Esperamos que os senhores vereadores nos apoiem nesta luta para impedir a privatização da Comusa, um patrimônio da cidade de Novo Hamburgo”, enfatizou Kopschina.
A autarquia tem participado ativamente de uma mobilização desde o anúncio do governo estadual, que inclui a entrega de um manifesto ao presidente da Assembleia Legislativa, Sérgio Peres, além de ter o tema inserido na pauta da Comissão Especial de Fiscalização da Aegea/Corsan, criada no último dia 11 para tratar das dificuldades enfrentadas pelos usuários da concessionária.
“Se esse projeto [de privatização compulsória] fosse apresentado hoje na Assembleia Legislativa, não seria aprovado. Temos certeza disso; os deputados já nos asseguraram”, destacou o diretor-geral.
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Kopschina ainda reiterou que o prefeito Gustavo Finck (PP) também confirmou que a Comusa não está à venda. “O prefeito já abandonou essa ideia faz tempo. Hoje a Comusa está indo muito bem, obrigado.”
Juliano Souto, presidente da Câmara, destacou que essa questão transcende a política e requer união e força do Legislativo. “A Comusa não é apenas uma autarquia municipal; ela integra a história de Novo Hamburgo. Recentemente, surgiram preocupações em várias cidades gaúchas sobre alterações na gestão das empresas responsáveis pelo abastecimento de água.”
Marco regulatório
Neri Chilanti explicou que 98% da população já possui acesso à água tratada e até março de 2027 o município deverá garantir 50% do esgoto tratado. “Buscaremos alcançar o Marco Regulatório antes do prazo nacional de 2033.”
Ele também mencionou um acordo de cooperação entre autarquias municipais assinado durante o 54º Congresso Nacional de Saneamento promovido pela Assemae (Associação Nacional dos Serviços Municipais de Saneamento), realizado recentemente em Caxias do Sul.
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“Em diversas cidades atendidas pela Aegea estão instaurando CPIs, como em Canoas. Não podemos permitir que as cidades sem atendimento pela Aegea Corsan sigam pelo mesmo caminho [da falta de qualidade no atendimento]”, concluiu Chilanti, alertando que a qualidade pode ser comprometida com a privatização, uma vez que atualmente os atendentes estão localizados no município.
